O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 30/11/2020
Aristóteles, grande pensador da Antiguidade, defende a importância do conhecimento para a obtenção da plenitude humana. Para o filósofo, sem a sabedoria desenvolvida através da leitura, nada separa a espécie humana do restante dos animais. Nesse sentido, é notório a necessidade da literatura para a construção de uma sociedade mais culta. No entanto, devido à falta de incentivo por parte dos setores responsáveis, bem como de um modo arcaico de imposição, permite que os desafios para a valorização do papel da literatura se intensifique no contexto atual.
Em primeiro plano, é possível analisar o problema pela sua raíz: a educação. Instituições de ensino, hoje, não incentivam mais a leitura. Nesse contexto, segundo Zygmunt Bauman, as escolas podem ser comparadas a asas ou a gaiolas, haja vista que podem proporcionar voos ou condições de desinteresse. Sob esse viés, é fato que ainda há escolas que adotem obras literárias para o ano letivo e trabalham seu conteúdo em sala de aula, mas, em grande maioria, os principais agentes responsáveis não se preocupam mais com o legado da literatura. Contudo, a ausência de incentivos a respeito da leitura e do conhecimento pela literatura, contribui para o desinteresse do aluno, o que abre portas para uma sociedade menos engajada intelectualmente.
De outra parte, é preciso pontuar o sistema arcaico de ensino no que tange a imposição do estudo da literatura no contexto social. A esse respeito, de acordo com Platão, nenhum conhecimento imposto à força permanece na alma por muito tempo. Nesse ínterim, a proposta do estudo da literatura como obrigatória provoca o afastamento de muitos jovens, uma vez que obras como de José de Alencar, Machado de Assis e Clarice Lispector por possuírem uma linguagem complexa, e / ou personagens e temáticas incompreensíveis, propicia a criação da ideia de que a literatura é difícil e monótona. Dessa forma, faz-se necessário uma área comum no âmbito educacional para que não crie adultos afastados do mundo literário.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem tal quadro. Acerca disso, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), órgão responsável pelos aspectos educacionais, promover palestra e simpósios nas escolas, os quais elucidem o papel da literatura para a construção de uma sociedade mais engajada, com objetivo de implantar o senso crítico nos alunos frente a prática da leitura. Ademais, o MEC, com auxílio de professores, deve elaborar cartilhas que contextualizem as obras clássicas e que tragam reflexões cotidianas para os discentes, tornando a leitura dessas algo concreto, prazeroso e não obrigatória, garantindo que a literatura não seja imposta à força. Assim, dessas medidas, será possível diferenciar os seres humanos dos outros animais.