O papel da literatura na sociedade contemporânea
Enviada em 24/06/2021
No século XX, surgiu o movimento literário chamado Realismo, o qual retratava, de forma crítica, o homem no seu cotidiano. Desse modo, é evidente o papel da literatura como ferramenta imprescendível para a construção identitária e social dos indivíduos na sociedade, pois tal manifestação artística revela várias esferas da realidade. No contexto brasileiro, todavia, as artes literárias não são valorizadas, devido à falta de incentivo a formação de leitores e à dinâmica da modernidade.
Em uma primeira análise, nota-se que o insuficiente estímulo estatal a atividade interpretativa de livros literários prejudica o desenvolvimento individual e coletivo, como a noção de identidade e de empatia pela alteridade. Dessa maneira, a leitura do livro “Vidas Secas”, do escritor realista Graciliano Ramos, que retrata as mazelas dos nordestinos no sertão, os quais vivem na miséria, ajuda a ampliar a percepção de desigualdade social. Apesar de ser uma obra literária, ela reflete a realidade de diversos brasileiros que vivem em condições subumanas. Sob esse prisma, é notório o papel da literatura para promover a reflexão e para denunciar a situação de grupos marginalizados pelos órgãos públicos.
Ademais, em uma segunda análise, mais contundente, observa-se que a filosofia da “Indústria Cultural”, advinda da Escola de Frankfurt, explica como a prática de ler obras literárias é exígua em uma sociedade dinâmica. Em sua visão, o sistema capitalista produz filmes e programas de TV como mercadoria e estratégia de controle social. Nessa pespectiva, os indivíduos optam pela televisão por se tratar de um meio de comunicação passivo, o qual limita as informações, não sendo necessário, por vezes, construir um senso crítico próprio da realidade. Logo, verifica-se que a conjuntura da modernidade reverbera no baixo índice de leitura de produção literária como fomentadora de uma visão crítica individual e ativa do meio social, pois é a partir delas que as pessoas formam juízo de coletividade para evitar a manipulação da massa.
Percebe-se, portanto, o papel fundamental da literatura na sociedade. De início, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas políticas educacionais em âmbito nacional - incentivar o hábito de leitura, por meio da reformulação da Base Nacional Comum Curricular na Etapa do Ensino Médio (BNCC) com a inclusão de obras obrigatórias do movimento Realista, como o livro “Vidas Secas”, com o objetivo de desenvolver o senso identitário individual e coletivo. E, assim, desconstruir, de maneira paulatina, a dinâmica passiva da modernidade, advinda da “Indústria Cultural”.