O papel da literatura na sociedade contemporânea

Enviada em 21/09/2023

Na paideia grega, as epopeias retratavam a jornada dos heróis, exaltando sua co-

ragem, habilidade e ética. Assim, em um tempo em que não se tinha um conjunto de leis específicas, o exemplo servia como guia e era através da leitura e narração desses poemas que se moldava o homem. No entanto , com o passar do tempo o papel da literatura foi marginalizado dando espaço ao pensamento técnico e cientí-

fico. Logo, cabe analisar a função da literatura e seu déficit na contemporaneidade.

Nesse cenário, destaca-se que a literatura tem por função desenvolver habilidades sociais, visto que, a ficção é uma simulação do mundo real. Acerca disso, é válido aludir a série “Anne With an E”, em que a personagem Anne não teve nenhum tipo de educação convencional que a família ou a escola pudessem oferecer, tendo adquirido seus valores morais através da literatura. Fora da ficção, a abordagem da obra não pode ser associada ao Brasil, uma vez que, de acordo com dados do Re-

tratos da Leitura no Brasil, 49% da população não tem o hábito de leitura. Conse-

quentemente, cria-se uma sociedade, sem criatividade, sem empatia e alienada. Dessarte, a ausência da literatura configura-se uma chaga social.

Outrossim, na contemporaneidade, o papel da literatura foi marginalizado ficando em foco o ensino técnico e científico. Sobre isso, o educador brasileiro Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia da Autonomia”, destaca a importância dada pelas escolas ao ensino conteudista em detrimento ao ensino dinâmico que valoriza os saraus, as rodas de leitura e conversação, ou seja, valorizam o ensino da disciplina literatu-

ra sem levar em conta a sua subjetividade. Desse modo, enquanto o formato de ensino conteudista se mantiver, difícil será implantar na sociedade o envolvimento literário como um hábito cultural.

Destarte, para suscitar o papel da literatura, cabe ao governo- responsável por ga-

rantir direitos básicos aos cidadãos- como à educação, promover nas escolas proje-

tos de leitura de obras literárias, por meio de saraus realizados semanalmente en-

tre docentes e discentes, com o fito de formar cidadãos críticos, empáticos e criati-

vos. Dessa maneira, o sistema de formação ética brasileiro se aproximará da Paideia grega.