O papel da mulher no futebol
Enviada em 13/03/2020
O filme norte-americano “Ela é o cara” relata a história de Viola, uma adolescente que adora jogar futebol e tenta conciliar essa prática com sua vida estudantil, mas tem seu sonho interrompido ao descobrir que a equipe feminina de sua escola será fechada devido à ausência de recursos financeiros. Fora da ficção, esse cenário de obstáculos para inclusão da mulher no esporte também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema, visto que – seja pela ineficiência estatal, ora pelo preconceito popular – compromete a valorização da imagem feminina e consolida a desigualdade de gênero pelo país.
A princípio, cabe analisar o papel estatal ineficiente sob a visão do sociólogo britânico Thomas Marshall. Segundo o autor, os direitos civis, políticos e sociais devem ser oferecidos aos cidadãos para que ocorra a construção da cidadania. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucos projetos em prol da inserção feminina nos esportes, os quais, frequentemente, são realizados com baixo apoio financeiro e não oferecem estruturas qualificadas para a prática de futebol e outras modalidades. Por consequência, observa-se prejuízos para a conquista de espaço das mulheres no meio esportivo, o que limita a visibilidade das garotas e fragiliza a representação social desse grupo.
Ademais, além do governo, a atuação preconceituosa da sociedade também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Dessa forma, o recente âmbito social – o qual grande parte das famílias julgam que o futebol é impróprio para meninas ou idealizam que apenas homens desempenham melhor determinados esportes – permite a desvalorização feminina nesse cenário e facilita a criação de estereótipos que prejudicam o bem-estar coletivo. Logo, gradativamente, a disparidade de gênero acaba por estar presente no meio popular e o potencial transformador do esporte tende a perder seu valor.
Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o governo, por meio de verbas públicas, deve ampliar projetos de valorização ao esporte feminino, de modo a reformular setores de treinamento, com a implantação de equipamentos modernos, para que equipes femininas de futebol e outras modalidades sintam-se estimuladas a seguir nesse cenário. Dessa maneira, será possível garantir estruturas para a representação das meninas no esporte e reduzir a desigualdade de gênero pelo país. Além disso, o Ministério do Esporte, junto a agências midiáticas, deve divulgar vídeos sobre mulheres atletas e cativar o auxílio familiar, a fim de desconstruir estereótipos acerca dessa temática e inibir que garotas tenham dificuldades de ingressar no esporte, assim como a jovem Viola no filme “Ela é o cara”.