O papel da mulher no futebol
Enviada em 23/03/2020
‘‘O importante não é viver, mas viver bem’’. Segundo Platão, importante filósofo grego, a qualidade da vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade vivenciada pelas mulheres, uma vez que enfrentam preconceitos em diversas esferas sociais e profissionais como, por exemplo, o futebol. Dessa forma, em vez de tentar aproximar a realidade descrita pelo filósofo da vivenciada pelo corpo social, o machismo estrutural e a desigualdade de gênero contribuem para a persistência dessa situação estarrecedora.
Precipuamente, Du Bois, um ativista político, implica as falhas na perspectiva de um progresso humano ao abordar a carência de educação, relacionando-o aos altos níveis de práticas machistas e excludentes. Salienta-se o uso da perpetuação desta estrutura opressora que, por certo, mascara e tolera a ilusória percepção da existência de um ‘‘sexo frágil’’, tendenciando uma visão da mulher dependente dos padrões do pensamento misógino fundamentalmente preconceituoso. Analogamente, a longa dívida histórica que marca a conquista dos direitos iguais realça a inquietação social, moldando o colonialismo em estruturas modernas. Isso demonstra, portanto, as inquietações vivenciadas pelas mulheres em busca do seu protagonismo.
Por conseguinte, segundo Zygmunt Bauman, notamos reflexos do Estado atuando como uma Instituição zumbi. Em outras palavras, sua forma existe e se perpetua, mas sem padrões e redirecionamentos, perdendo a essência no contato com as virtudes naturais da sociedade e ignorando nítidas estruturas de poder evidenciadas em ambientes de trabalho como, por exemplo, distintas remunerações para cargos iguais ocupados entre homens e mulheres. Outrossim, a desigualdade de gênero aponta uma sociedade baseada em uma falsa democracia, fortificando um domínio social e econômico, arquitetando um comitê para administrar o interesse da velha burguesia.
Impende, pois, que o direito à dignidade humana seja, de fato, assegurada na prática, como prevê a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sob essa ótica, o Ministério Público Federal, por meio de ações judiciais avaliadas com prioridade pelo Poder Judiciário, deve assegurar as condições sociais de equidade, incentivando palestras sobre o empoderamento feminino, principalmente em áreas marginalizadas. A iniciativa do MPF teria a finalidade de promover a estima pelo conhecimento e mitigaria uma sociedade acorrentada pelo preconceito e ganância, viabilizando atenção aos direitos femininos e emanando a cultura indissociável da moralidade.