O papel da mulher no futebol

Enviada em 15/03/2020

O sociólogo Pierre Bourdieu, através do conceito Estruturalismo Construtivista, trabalha a dominação masculina na sociedade a partir da identificação de aspectos classificativos de oposição como o feminino referente ao interior e o masculino ao exterior. Nesse contexto, encaixa-se o protagonismo masculino quanto aos esportes, sobretudo, no futebol, no qual atualmente o futebol feminino tem buscado espaço, o que caracteriza a tentativa de mitigar a intensa desigualdade de gênero. Além disso, as mulheres no futebol também possuem a representatividade demonstrada por seu esforço em um local apresentado como não pertencente à elas.

Em primeiro lugar, a dominação masculina estabeleceu-se por jogos de poder ao longo da História, por exemplo na Grécia Antiga quando apenas homens eram participantes da política local, o que intensificou a desigualdade de gênero, principalmente, pela opressão à manifestação feminina. Sendo assim, o futebol consegue mostrar a presença da supremacia de gênero uma vez que, atualmente, o prestígio do futebol masculino, no qual refere-se à audiência  e valor salarial, contém dimensões demasiadamente maiores do que o feminino. Todavia, com a persistência no princípio do futebol feminino, a valorização aumentou aos poucos tal que identifica resultados na luta à desigualdade de gênero, portanto, a resistência da mulher perante as estruturais sociais como ferramenta para tal.

Em segundo lugar, o campo da representação na sociedade consiste em grande peso na compreensão humana já que desenvolve a sensação de pertencimento e contribui à percepção da Potência, instituída em todos os seres, conceituada por Aristóteles. Por isso, quando há o surgimento de eventos mundiais, como a Copa do Mundo feminina transmitida pela primeira vez em canal aberto em 2019, impulsiona, sobretudo, meninas a ambicionar ambientes dados como masculinos. Assim, fragiliza o machismo estrutural e fortalece à busca de práticas esportivas, científicas e cargos importantes no mercado de trabalho para que conquistem o seu lugar ativo no mundo, sendo essa a consequência mais relevante da representatividade.

Diante disso, o papel da mulher no futebol tanto diminui a desigualdade de gênero quanto fortalece a representação feminina no espaço social. Cabe às Mídias Nacionais, como grandes emissoras, televisionarem com a mesma frequência e carga de importância o futebol feminino, como campeonatos, além de enfatizar a necessidade de igualdade salarial. Isso tudo a fim de que haja a conscientização populacional em relação ao valor igualitário da mão de obra feminina e masculina, tendo a longo prazo a quebra da dominação do homem.