O papel da mulher no futebol
Enviada em 16/03/2020
O Movimento Feminista surgiu na década de 1960 em prol da luta pela igualdade de gêneros. Entretanto, ainda hodiernamente, é perceptível a desigualdade entre essas variedades. O futebol é mais uma das áreas em que predomina o contraste entre o grupo feminino e masculino, sendo esse mais valorizado que aquele. Isso pode ser evidenciado pelas diferenças de público e de patrocínios nas Copas Mundiais Femininas e Masculinas de futebol.
Mormente, é óbvia a diferença de público interessado nos programas masculinos ou femininos em diversos aspectos da sociedade. De fato, a obra “A Cor Púrpura”, escrita por Alice Walker no século XIX, evidenciava a cultura machista de valorização do homem. Nesse sentido, o cenário de popularidade do futebol masculino em comparação ao feminino reitera essa cultura relatada pela escritora norte-americana, o que evidencia a persistência da desvalorização da mulher na sociedade. Inclusive, isso é notório ao se comparar a premiação da Copa do Mundo Masculina de Futebol de 2018 com a Feminina de 2019, uma vez que essa foi premiada com 1,4 bilhões de dólares a menos que aquela, o que é influenciado pela popularidade, isto é, pelo número de espectadores.
Ademais, a diferença salarial e de patrocínios dada a cada um dos grupos também comprova o caráter desigual do futebol. No ano de 2019, por exemplo, a jogadora Marta (eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo) se recusou a usar uma chuteira patrocinada pelas maiores marcas esportivas, em decorrência da diferença econômica destinada às jogadoras em comparação aos jogadores. Paralelamente a isso, outra maneira de transparecer essa desigualdade é pela transmissão dos jogos, visto que a Copa Feminina só passou a ser exibida nos canais televisivos no ano de 2019, 28 anos após a estreia dessa competição.
Portanto, fica evidente que o papel da mulher no futebol reitera o papel feminino na maioria das sociedade, isto é, um lugar inferior ao masculino. Dessa forma, o Ministério da Cultura deve investir na luta contra o machismo na cultura brasileira - por meio de campanhas publicitárias e projetos sócio-educacionais nas escolas, em parceria com o Ministério da Educação, - com vistas a promover a igualdade de gêneros em todos os ambientes sociais. Além disso, é essencial que as empresas patrocinadoras dos eventos de futebol promovam maior igualdade por intermédio de investimentos concordantes e de publicidade igualitária para ambos os tipos de eventos. Assim, será possível promover maior harmonia para ambos os gêneros, o que representa um espaço de conquista para o movimento feminista.