O papel da mulher no futebol

Enviada em 17/03/2020

No século XXI, a jogadora Marta despontou como destaque internacional e maior ganhadora do prêmio “Bola de Ouro”. Hoje, porém, a clara influência dessa brasileira não condiz com a presença da mulher no futebol, que é muito reduzida. Nessa conjectura, a falta de incentivo para atletas e, também, a ausência de apelo midiático para o público feminino corroboram com tal cenário.

Convém destacar, a priori, que a presença no esporte feminina não é incentivada. Isso por conta da visão preconceituosa de que futebol não é “lugar de mulher”, de modo que, apesar do Brasil ser muito presente no cenário futebolístico, as mulheres não são incluídas ou não recebem o destaque adequado. Um bom exemplo é que, em contraponto a fama de Marta, grandes jogadoras da seleção brasileira, como Cristiane e Formiga, são vistas como coadjuvantes. Dessa forma, é perceptível que tal desvalorização no campo profissional não estimula a adesão de meninas no esporte.

Ademais, a ausência de um papel midiático adequado para o futebol dificulta a inserção das mulheres. Isso porque o destaque nas notícias e a presença feminina nas transmissões é muito menor do que quando comparado ao masculino. Um grande avanço foi a vinculação da Copa do Mundo feminina, em 2019, para grandes canais de TV, representando um grande passo para a valorização do esporte. Dessa maneira, ocorre o início de uma propagação natural de apelo midiático com a modalidade e a presença feminina.

Diante dos fatos apresentados, é necessário que escolinhas de futebol e instituições de ensino fundamental e médio incentivem a presença de turmas femininas nas aulas de educação física e competições, por meio da participação nas atividades físicas, distribuição de cartilhas com os benefícios do esporte e valorização de grandes jogadoras, com o objetivo de inserir meninas, desde a base, na modalidade. Além disso, é ideal que canais esportivos em parceria com a Secretaria de Esporte estadual e organizações feministas montem uma programação que inclua o futebol feminino e destaque-o na audiência, através da inclusão de comentaristas e narradoras, transmissão de competições importantes e vinculação de notícias em toda a mídia, visando tornar a presença feminina no futebol mais naturalizada e comum.