O papel da mulher no futebol

Enviada em 19/03/2020

Em sua luta pela igualdade, as mulheres vem, desde a revolução francesa, obtendo direitos nunca antes conquistados, haja visto a sociedade patriarcal que as colocava em posição de submissão ao homem. Conquanto, apesar de terem obtido grande sucesso com o movimento feminista ao longo do tempo, a mulher ainda enfrenta, hodiernamente, grande repressão devido ao seu sexo em ambientes densamente concentrados pelo público masculino, como é o caso do futebol. Nesses, a figura feminina é tratada como inferior, e o movimento em busca por direitos iguais entre os sexos é novamente colocado em pauta. Nessa perspectiva, cabe analisar-se os entraves que perpetuam essa problemática, bem como o encontro de subterfúgios que os solucionem.

Em primeira análise, destaca-se a falta de um ensino que mostre aos estudantes, a importância de uma sociedade igualitária para o avanço da nação. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Nessa perspectiva, a falta de um ensino que eduque o jovem brasileiro sobre a importância da igualdade entre os sexos, fará com que o machismo intrínseco ao ideário popular seja perpetuado, e o espaço ao futebol feminino seja comprometido, haja vista o grande repúdio que já sofrem.

Faz-se mister, ainda, salientar a omissão governamental frente ao machismo no futebol como impulsionador do problema. Análogo ao que foi dito pelo pastor protestante Martin Luther King, “A injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo o lugar”, um governo que não estabelece parâmetros de igualdade entre homens e mulheres em todos os aspectos sociais, faz com casos de assimetria salarial entre sexos sejam potencializados, enfraquecendo o movimento feminista, como é o caso da jogadora Marta, que recebe uma fração do salário do jogador Neymar, ambos considerados melhores jogadores de futebol do mundo, porém de sexos diferentes.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser exercidas a fim de que os entraves vinculados a esse problema sejam solucionados. Para tanto, cabe ao Ministério do Esporte, em conjunto com o poder legislativo, elaborar e implementar leis que reduzam a disparidade salarial entre jogadoras e jogadores e que também impulsione a propaganda do futebol feminino em conjunto com a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Ao Ministério da Educação, cabe o dever de ensinar a seus alunos, através de materiais didáticos e aulas elucidativas, a importância da igualdade entre sexos na sociedade, e então forme o pensamento coletivo sobre como o empoderamento de mulheres em setores antes focados ao público masculino, pode fazer com que o prazo para a conquista de um sociedade saudável a ambos os sexos seja reduzido.