O papel da mulher no futebol

Enviada em 23/03/2020

A representatividade da figura da mulher no futebol.

O futebol conquistou sua glória planetária na medida em que evoluiu de um de jogo confuso e desordenado ao esporte complexo e imprevisível que se conhece, tornando-se, assim, o fenômeno cultural, midiático e financeiro que é hoje. Entretanto, apesar da sua popularidade, o futebol carrega consigo aspectos nocivos da sociedade que o inventou, tais como o machismo; mas, se, por um lado, ele é um esporte, nitidamente, sexista, por outro, possui uma capacidade única de nivelar as desigualdades entre homens e mulheres por meio da representatividade.

Antes de tudo, cabe compreender que o patriarcalismo, predominante dentro e fora de campo, é um reflexo das raízes históricas da primeira divisão sexual do trabalho, uma estrutura que se conservou desde o Neolítico até a consolidação do movimento feminista, ou seja, quando designou-se aos homens, sob justificativa dos seus atributos físicos, as tarefas braçais, como a caça, a pesca e etc. e às mulheres as responsabilidades reprodutivas, criou-se uma superioridade aparente de um sobre o outro. Isto é, se hoje o futebol masculino é mais relevante do que a sua variante feminina, é porque há o entendimento conjunto, embora inconsciente, do homem ser, tanto em termos de trabalho, quanto físicos, superior à mulher.

Nesse sentido, explica-se o porquê da Marta ganhar pouco em comparação ao Neymar, apesar dos dois desempenham o mesmo papel em suas, respectivas, seleções; quer dizer, se a mulher desempenha um papel secundário no futebol, é porque, também, o desempenha na sociedade. Esse é um quadro perigoso, sobretudo, porque, apesar dos argumentos refinados do feminismo, como os descritos no “O Segundo Sexo”, dos dados estatísticos e das recorrentes denúncias de desigualdade de gênero na mídia, o machismo persiste no senso comum, como um vírus que resiste ao tratamento. Por isso, iniciativas como a transmissão, em TV aberta, da Copa do Mundo Feminina (2019) assumem tamanho destaque, pois, permitem que as meninas possam se sentir representadas pelas atletas, coisa que a frieza e a impessoalidade das estatísticas não permite. Os dados, apesar de fundamentais, não farão justiça longe da representatividade.

Dessa forma, é imprescindível que o Estado siga este exemplo, que promova, por meio dos recursos da Secretária Especial do Esporte, o futebol feminino e outras modalidades, especialmente, no que se refere à transmissão e patrocínio dos eventos esportivos para fomentar a representatividade. Visto que, é necessário o tratamento preferencial às atletas em face do contexto de desigualdade.