O papel da mulher no futebol
Enviada em 24/03/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que se diz respeito à questão da desigualdade de gênero no mundo do futebol. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: má influência midiática e questões socioculturais.
A princípio, a má influência midiática apresenta-se como um complexo dificultador. Conforme Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população sobre o papel da mulher no futebol, influencia na persistência do problema, visto que apenas em 2019 foi transmitida pela TV brasileira a copa do mundo feminina de futebol - não concedendo a mesma importância quando jogada por homens -, enquanto o masculino tem sua repercussão nos meios de comunicação do Brasil desde 1938.
Outro ponto relevante, nessa temática, são as questões socioculturais. Segundo Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que o preconceito contra a mulher no mundo do futebol é fortemente influenciado pelo pensamento coletivo, uma vez que, homens e mulheres não são pagos da mesma forma, além de colocar sob suspeita a capacidade delas de praticar esse esporte, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante/ opressor/ injusto, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, é necessário que as prefeituras, em parceria com o governo do estado, proporcionem a criação de oficinas educativas, a serem desenvolvidas nas semanas culturais dos colégios estaduais. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas, como dramatizações, dinâmicas e jogos, além de palestras de sociólogos que orientem sobre a questão do papel da mulher no futebol e a desigualdade de gênero diante desse panorama para jovens e suas famílias, com embasamento científico, a fim de efetivar a elucidação da população sobre o tema.