O papel da mulher no futebol
Enviada em 23/03/2020
A igualdade de tratamento e respeito pelos quais grupos femininos tem lutado há décadas estão longe de serem garantias na maior parte dos setores da sociedade. Entre os fãs e profissionais, o esporte mais popular em nosso país, ainda existe muita resistência contra a presença feminina, seja para agir com o devido respeito à sua modalidade no esporte, como para garantir o seu lugar como torcedora, jornalista ou até mesmo árbitra na categoria masculina.
Um caso emblemático dessa realidade se deu quando, este ano, uma comissão da Confederação Brasileira de Futebol foi à Federação Europeia pleitear apoio para sediar a próxima edição da Copa do Mundo feminina de futebol, mas o fez sem uma única mulher na delegação. O Brasil nem sequer é o único país onde persiste essa realidade, uma vez que as delegações da maioria dos países candidatos contava com mais homens do que mulheres.
Nota-se que a ausência de mulheres em funções representativas e administrativas nas entidades que mediam o esporte reflete na falta de investimentos e de relevância conferida à modalidade feminina do futebol. Isso pode ser facilmente percebido comparando os salários e condições de treino das jogadoras da elite do esporte, muito inferiores aos da elite masculina. Em um ambiente onde o machismo é internalizado, existe muito pouco interesse em mudar esse status quo, e o futebol feminino se torna uma arma para perseguir determinados interesses políticos e econômicos ao invés de cumprir a função integradora e inspiradora do esporte.
É preciso que as confederações de futebol concedam espaços para o protagonismo feminino nas decisões administrativas e políticas, especialmente para o esporte feminino. Além disso, essas entidades precisam atuar com os clubes para criar campanhas de conscientização sobre o futebol feminino, enfatizando a importância das mulheres no esporte. Só através da ação direta é possível mudar um comportamento tão enraizado quanto o machismo e garantir à mulher seu devido lugar.