O papel da mulher no futebol

Enviada em 24/03/2020

A igualdade de tratamento e respeito pelos quais grupos femininos têm lutado há décadas estão longe de serem garantias na maior parte dos setores da sociedade. Mesmo no futebol, tido como um esporte democrático e o mais popular no Brasil, existe muita resistência contra a presença e participação feminina. Isso pode ser explicado não só pelo machismo enraizado na educação dos homens, que compõem a maior parte do público do esporte, mas também a pouca presença de mulheres em posições de tomada de decisões nas entidades ligadas ao futebol.

Exemplificando essa realidade, este ano, uma comissão da Confederação Brasileira de Futebol foi à Federação Europeia pleitear apoio para sediar a próxima edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino, mas o fez sem uma única mulher na delegação. Além disso, a delegação brasileira não foi a única onde isto aconteceu, visto que os grupos da maioria das federações candidatas contava com mais homens do que mulheres.

É notável que a ausência de mulheres em funções administrativas e nas entidades que mediam o esporte reflete na falta de investimentos para a modalidade feminina do futebol, pelo menor interesse de mudar esse cenário. Por consequência, podemos notar diferenças desproporcionais de salário entre mulheres e homens que jogam no mesmo nível. Isso pode ser observado se compararmos o salário de Marta, estrela da seleção feminina de futebol e seis vezes melhor jogadora do mundo e de Neymar, jogador de destaque da seleção e de seu clube, mas que recebia um salário 36 vezes maior em 2018, apesar de nunca ter sido considerado melhor do mundo.

Portanto, faz-se necessário que as confederações de futebol criem espaços para o protagonismo feminino, garantindo um mínimo de mulheres em posições de tomada de decisão nas entidades, para que elas possam lutar por seus interesses. Além disso, é preciso que essas entidades trabalhem mais efetivamente na divulgação do esporte feminino, atraindo mais patrocínios e investimentos. Só assim, é possível garantir um futebol verdadeiramente democrático, garantindo à mulher um papel participativo.