O papel da mulher no futebol

Enviada em 29/03/2020

O patriarcado construiu memórias horríveis no passado e ainda é presente na atualidade. A repressão contra mulheres é aparente em todos os aspectos, inclusive em um meio que é realidade na vida das pessoas desde a infância: o esporte. A proibição e ausência de auxílio na participação das mulheres, principalmente no esporte mais forte no Brasil, fez com que, segundo a ideia de Mário Sérgio Cortella, por meio da discordância desse contexto o público feminino tenha conquistado força e feito a diferença nesse preconceito. O papel da mulher no futebol vai além de uma conquista, ele serve como uma desconstrução da sociedade machista e inspiração para jovens.

Como supracitado, o desmanche da opressão contra mulheres no futebol é muito complexo, visto que desde a Grécia Antiga as mulheres não podiam praticar por serem “frágeis”. Ainda assim, para complicar a situação, em 1941, Getúlio Vargas decretou uma lei que proibia a prática do futebol feminino. Todavia, as mulheres continuaram a exercer o esporte, o que gerou, depois de 40 anos, o fim desse decreto, situação que demonstra a voz feminina tendo força para lutar pelo seu espaço, reforçando Cortella. Além disso, a exposição feminina no esporte é um ótimo aliado para a luta contra o assédio, visto que o contexto vivenciado pela jogadora Vitória Calhau, a qual teve que dar uma “rodadinha” em público a pedido do mascote do Atlético-MG por conta do uniforme mais justo, traz à tona a discussão sobre o assédio. Dessa forma, muitas conquistas por igualdade de gênero vieram por jogadoras.

Outrossim, a inspiração que essas atletas causam em meninas (e até meninos) é inquestionável. A exclusão de garotas desse esporte ocorre desde a escola, quando os professores de educação física, majoritariamente homens, não as permitem jogar com os meninos ou até mesmo determina outra atividade. Entretanto, ao ver a seleção feminina na televisão pela primeira vem apenas em 2019, faz com que essas jovens não desistam dos seus sonhos, indo atrás de escolas de futebol e investindo na carreira. Outro exemplo de inspiração foi o do menino Bernardo, o qual riscou o nome do jogador Neymar de sua camisa e escreveu “Marta”. Histórias como essa deixa ainda mais claro o papel de mudança de vida que a mulher no futebol traz.

Diante desse cenário, medidas são necessárias para intensificar a luta. Dessa forma, a Secretaria Especial do Esporte deve colocar como obrigatório que as empresas que patrocinam o futebol masculino também ajude um time feminino, por meio de lei com pena de altas multas. Ademais, a Justiça Federal, juntamente da Confederação Brasileira de Futebol, deve obrigar as redes televisivas a transmitirem todos os jogos de cunho feminino. Assim, o papel da mulher irá além de ganhar prêmios.