O papel da mulher no futebol
Enviada em 27/03/2020
No ano de 2019, Marta, grande atleta do futebol feminino, entrou para história ao se tornar a maior artilheira da história das Copas do Mundo. Nesse sentido, a jogadora conseguiu desconstruir diversos preconceitos em relação às capacidades femininas, mostrando o grande papel da mulher no futebol: o empoderamento feminino. Todavia, esse ideal ainda não permeia toda a sociedade, devido ao machismo e a desigualdade de gênero. À vista disso, subterfúgios devem ser encontrados, a fim de sanar essa problemática.
Em primeira instância, o machismo impede o papel de empoderamento feminino, visto no futebol. Tal problema tem suas raízes desde a era colonial brasileira, em que todos as funções administrativas do engenho eram atribuídas aos homens, enquanto as mulheres ficavam com o trabalho doméstico, caracterizando o patriarcalismo. Nesse contexto, tal ideário perdura-se até os dias atuais, já que muitos homens acreditam que as mulheres já tem seu papel determinado: cuidar da casa e dos filhos. Sob esse viés, essa parcela da sociedade enfrenta diversas preconceitos ao tentar se inserir em qualquer ambiente que não foi deliberado para elas, como o futebol, impedindo a sua valorização social.
Outrossim, somado ao supracitado, a desigualdade de gênero atua no enfraquecimento do empoderamento feminino disseminado pelo futebol. Nessa lógica, tal realidade é totalmente errônea e excludente, pois como afirma o filósofo contratualista Thomas Hobbes, em seu conceito " Equiparação de Capacidades", não existe diferenças tão abruptas entre os humanos ao ponto de dar vantagem de um sobre o outro. Assim, é incoerente um homem ter vantagens sob uma mulher, seja no âmbito do trabalho e social, como no futebol. Desse maneira, se essa situação continuar a se perpetuar, a promoção de capacidades femininas nunca será manifestada na sociedade.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que medidas são necessárias para obliterar a extenuação do papel da mulher no futebol. Para isso, cabe ao Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, junto ao MEC, desconstruir o perfil machista da sociedade, por meio de aulas com historiadores e sociólogos que irão palestrar sobre como o machismo se concretizou na sociedade e atenuá-lo, a fim de que haja a promoção da autonomia e participação feminina. Ademais, o Estado deve, ainda, junto à mídia, abolir a desigualdade de gênero no Brasil, por intermédio da criação de um programa televisivo denominado " Igualdade Já" que irá retratar a importância das ações femininas na sociedade, por meio de documentário e artigos científicos, com o intuito de que a liberdade da mulher de participar, por exemplo, do mundo futebolístico seja entendido como algo normal e sem burocracias. Feito isso, garantir-se-á o papel da mulher no futebol, já trabalhado por Marta.