O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/04/2020

Promulgada em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura em seu preâmbulo a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Todavia, o preconceito existente no âmbito dos esportes, especialmente no futebol, impede o exercício pleno da prerrogativa tutelada. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de intervenções estratégicas por parte das autoridades competentes, aliadas à cooperação popular, com vistas a contornar o hodierno cenário.

Sabe-se que o desenvolvimento da alteridade é essencial para construção e manutenção de Nações justas e plurais. Conquanto, ainda existe muito a ser feito para que o Brasil adentre parâmetros aceitáveis de valorização do indivíduo e respeito às diferenças. Nos desportes, o contraste é bastante notório: de acordo com Thaís Picarte, jogadora brasileira e vice-presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais de Futebol do Município de São Paulo, dificilmente encontram-se mulheres que recebam mais de 15 mil euros mensais (pouco mais de 80 mil reais) atuando na área, valor irrisório se comparado ao angariado por homens em situações semelhantes.

Faz-se imperioso, ainda, salientar que a valorização do futebol feminino depende  de sua relevância social. Conforme a lei da oferta e da demanda, cunhada pelo economista Britânico Adam Smith, a procura por determinado produto influencia diretamente em seu valor. Destarte, fica claro que a falta de interesse da população pela modalidade impacta contundentemente as relações econômicas envolvidas e implica, dentre outros efeitos, reduções salariais, pois os proventos pagos dependem do lucro angariado.

Portanto, depreende-se que o investimento na popularização do futebol feminino é pré-requisito para mudança no cenário exposto. Assim, cabe ao Ministério da Cidadania, órgão responsável pela pasta, a divulgação ostensiva do tema em meio televisivo e virtual, com o objetivo de levantar expectadores para a modalidade. Ademais, para gerar tal efeito, o governo federal deve estudar a possibilidade de declarar feriado em dia de jogos decisivos e oferecer opções de entretenimento variadas durante os eventos, como espetáculos de abertura desenvolvidos por artistas de vulto e idealização de mascotes para interagir e atrair a atenção do público mais jovem. Dessa forma, a equiparação com a categoria masculina deixará de ser utópica gradativamente e o país caminhará para a efetiva integração no desporto.