O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/04/2020

Na novela “Fina Estampa”, retrata-se a vida de “Pereirão”, uma mulher que realiza trabalhos supostamente destinados a homens, a fim de garantir o sustento de sua família e, por conseguinte, é subestimada pelo jeito de agir e de vestir-se. Fora da ficção, o cenário é ainda mais alarmante, uma vez que no quesito esporte, o papel da mulher no futebol não só contribui para erradicar o machismo que perfaz a sociedade, mas também atua como ferramenta de transformação social. Convém, portanto, analisar de maneira crítica essa problemática.

Em primeiro âmbito, a cidade de Esparta, durante a Grécia Antiga, era regida por preceitos patriarcais, em que os homens destinavam-se aos esportes e ao exército, enquanto as mulheres priorizavam o trabalho doméstico. Nesse contexto, é perceptível que a atuação feminina contemporânea no futebol quebra o preconceito instituído em Esparta, além de comprovar que a mulher é capaz de desempenhar as mesmas atividades que os homens com igual êxito. Dessa forma, Marta, melhor jogadora de futebol do mundo por seis vezes, ilustra que é possível ocupar posições masculinas, porém ainda observa-se uma diferença salarial entre os gêneros de 30%, o que reforça a persistência da soberania do menino em detrimento da menina.

Paralelo a isso, no livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado", aborda-se a trajetória de Dora, a primeira integrante feminina do trapiche, a qual, no decorrer da trama, passa a liderar o grupo, pois ganha representatividade devido ao seu caráter. Sob essa ótica, cidadãs que estão em situação de vulnerabilidade social, ao verem mulheres no gramado , inspiram-se a mudar o panorama no qual estão inseridas, isto é, estimula-se a ascensão econômica ao atingir patamares que antes eram inacessíveis. Assim, segundo a perspectiva de Durkheim, fato social é a maneira coletiva de agir e pensar, logo, ao impor à sociedade que a mulher pode conquistar o que ela quiser, isso será difundo e enraizado.

Enfim, com o intuito de que personagens como “Pereirão” e Dora venham a representar a realidade, medidas são necessárias. A priori, urge que o Ministério do Esporte, em sincronia com empresas - cujo dever é estimular e patrocinar jogos matriarcais - crie centros de futebol femininos, os quais serão gerenciados e compostos por mulheres, como também terão a entrada gratuita. A posteriori, isso só irá concretizar-se por meio da redução de impostos dessas empresas, posto que assim haverá verbas, a fim de que haja a verdadeira valorização da atuação do mulher no futebol.