O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/05/2020

Em Atenas, na Grécia Antiga, a participação esportiva era comum entre os cidadãos atenienses como forma de interação social, porém era restrita aos indivíduos do sexo masculino. Hodiernamente, a inclusão esportiva é mais abrangente que na Antiguidade Clássica, uma vez que o direito à participação feminina, principalmente no futebol, foi conquistado ao longo da História. Entretanto, tal conquista encontra entraves na prática devido ao machismo velado social, e também à falta de incentivo governamental, que devem ser analisados.

A princípio, é mister ressaltar que a estrutura patriarcal estabelecida ao longo da história contribui para o cenário preconceituoso no futebol. De acordo com Émile Durkheim, filósofo alemão, " fato social" pode ser definido como um modo coletivo de agir e pensar que impõe preceitos morais às ações das pessoas. Nesse sentido, o preconceito sofrido pelas mulheres é resultado de um machismo estrutural formado a partir de um modo coletivo de pensar que acredita que os homens são melhores na prática do futebol do que as pessoas do gênero feminino. Esse machismo, que na Antiguidade Clássica impedia as mulheres de participarem dos esportes, na atualidade não as impede, mas as desprestigiam e as colocam em um patamar inferior de forma velada.

Outrossim, a falta de incentivo à representatividade no futebol pelo governo é mais um impasse. Segundo Aristóteles, filósofo grego, a política é necessária para a garantia do bem-estar dos indivíduos e a diminuição das desigualdades de gênero. Assim, é função do Governo garantir que as mulheres tenham sua participação no futebol viabilizada e incentivada com políticas públicas capazes de colocar em evidência a força e a competência delas no futebol. Isso é necessário para empoderar a autoestima feminina e, também, mitigar a desigualdade de gênero presente na sociedade como um todo.

Destarte, medidas são necessárias para resolver tais impasses. O Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Cidadania, deve promover um projeto social para meninas de baixa renda. Isso deve ser realizado de modo a focar no desenvolvimento do futebol feminino e no empoderamento dessas crianças dentro do universo dessa modalidade esportiva, com o fito de contribuir com o aumento do interesse delas pelo futebol. Além disso, o Governo deve criar campanhas nos meios de comunicação, especialmente na internet,  de maneira a colocar em evidência as atletas que fazem parte do futebol feminino.O intuito deve ser de aumentar a representatividade do gênero e difundir a importância do papel da mulher dentro desse esporte. Desse modo, o preconceito perante a presença feminina no futebol será mitigado.