O papel da mulher no futebol

Enviada em 16/04/2020

A música “País do Futebol”, composta por Mc Guime, comenta sobre o grande influxo e atuação que a cultura futebolística tem sobre os membros da sociedade brasileira, assim como é praticada por grande parcela destes. Entretanto, devido a pouca visibilidade dada às atletas e ao investimento desigual nesse setor, a mulher adquire um papel secundário no que tange a esse esporte atualmente. Tal problemática vai contra os ideais propostos para uma sociedade equilibrada, sendo, portanto, inadmissível.

Antes de tudo, vale destacar a exclusão, dentro dos meios de comunicação, das informações voltadas a mulher nesse setor esportivo. Acerca disso, de acordo com Fátima Samoura, secretária geral da Federação Internacional de Futebol (FIFA), o principal obstáculo para a mulher no setor futebolístico é o fato de muitas agências de telecomunicações reservarem, em seus programas e propagandas, um espaço ínfimo à modalidade feminina. Sob tal ótica, considerando a mídia como um agente de coerção social, as atletas perdem visibilidade e importância tanto por parte dos espectadores, quanto para as patrocinadoras esportivas. Logo, visando a busca por uma sociedade igualitária e com maior incentivo a mulher no esporte, tal situação é incabível.

Ademais, é importante destacar o descrédito dado à modalidade feminina de futebol. A esse respeito, dados referentes à Copa de 2018 indicam que os investimentos destinados aos times femininos representam apenas 7,5% em comparação ao total reservado às equipes masculinas no mesmo ano. Tal demérito, de acordo com Fátima, contribui para as disparidades existentes entre os salários de homens e mulheres nesse contexto esportivo e, além disso, influi na redução gradativa do número de atletas do sexo feminino. Portanto, percebe-se que o impasse do salário desigual possui, entre outras atividades, grandes dimensões no esporte, necessitando de olhares mais críticos.

Com base no exposto, evidencia-se a necessidade de medidas que melhorem o atual papel da mulher no futebol contemporâneo. Para tanto, o Ministério do Esporte, em conjunto com a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), deve, por meio de acordos com as empresas que dividem o espaço da grade publicitária televisiva do Brasil, elaborar e divulgar propagandas que demonstrem o atual estado do esporte feminino e a urgência da maior participação nesta causa. Outrossim, o Poder Legislativo necessita de estabelecer limites para as disparidades de investimentos entre homens e mulheres, no setor esportivo, realizados pelo Ministério do Esporte. Dessa forma, a mulher obterá maior visualidade e respeito no que tange ao futebol e,  consequentemente, haverá o crescimento de novas adeptas a essa atividade.