O papel da mulher no futebol

Enviada em 18/04/2020

Em 2017, a empresa Nike sofreu fortes retaliações por não ter encomendado uniformes femininos do Corinthians, pois, segundo ela, a demanda pelo modelo era insuficiente. A princípio, situações como esta, sofrida pelas torcedoras, são recorrentes no Brasil seja por xingamentos, ou humilhações, que subjugam e destoam o papel da mulher no futebol. Para isso, tanto o molde estilista feminino empregando como a omissão do governo corroboram esse cenário estarrecedor.

Primeiramente, o paradigma social de só observar a mulher de uma feição está se tornando um entrave. Trata-se do pai já distingui o filho como jogador e a filha como moça do lar, a mãe que bate na garota por jogar futebol na rua com rapazes e o marido no qual humilha sua mulher que tentou opinar sobre a arbitragem da pelota. Assim, não é de se surpreender a extrapolação dessas convicções misóginas para jogos no estádio, onde a jogadora profissional recebe xingamentos do tipo “machuda”, ou a torcedora que não pode vestir a camisa do seu time por ser mulher, como no caso da Nike, algo já alertado pelo filósofo Sartre, que dizia o inferno ser os outros. Nisso, evidencia-se que para a fração machista da sociedade o imbróglio está na mulher que não entende e nem jogar nada de bola.

Ademais, a negligência governamental consolida a problemática. Isso porque, em grande parte da sociedade a mulher é vista com um ser “secundário” seja na rede globo que transmite toda quarta-feira, na maioria das vezes,  apenas o futebol masculino, pois “dá mais audiência”, ou os patrocinadores que preferem divulgar suas marcas com titulares como o Neymar, enquanto moças como a profissional Marta, eleita seis vezes melhor do mundo, não chega a ter nem o prestígio, ou salário como o dos homens no esporte. Segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisa e estatística (IBGE), mulheres que ocupam o mesmo cargo que os rapazes ganham só 3/4 do seu salário. Logo, nota-se como a disparidade econômica e social é recorrente na modalidade, afeta o princípio de isonomia de um país que se diz republicano, induz meninas a se sentirem impotentes e favorece o aumento da depressão.

Destarte, é mister que o Ministério da Cidadania junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia ressaltem a importância do papel da mulher no esporte, com propagandas em rádios e tevês sobre como é vital respeitar e torcer pelo futebol feminino, com expedições às emissoras televisivas para transmitirem jogos alternados do dois gêneros nas semanas. Tal iniciativa deve ainda buscar ajuda de ONGs, escolas e patrocinadores para dar oportunidade e treinar garotas que são boas jogadoras, com reuniões de pais para diluir o preconceito estereotipado de que menina só brinca de boneca, por meio de slogans, cartilhas e cartazes. Dessa forma, amenizar-se-á a desigualdade de casta social, estruturar um país mais igualitário e menos machista.