O papel da mulher no futebol
Enviada em 17/04/2020
Segundo o relatório " Movimento é vida “, elaborado pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), a prática de exercícios físicos por mulheres é 40% inferior ao dos homens. Por conseguinte, observa-se que tal cenário esportivo é marcado por uma acentuada desigualdade de gênero, tornando víital a discussão do papel da mulher no futebol, a fim de desconstruir o patriarcado esportivo. Nesse ínterim, para melhor análise, é fulcral elucubrar os tabus relacionados ao futebol, bem como a importância da representatividade feminina no esporte.
Em primeiro plano, tem-se o preconceito velado frente à privação histórica da mulher no futebol. Nesse viés, é imperioso destacar o artigo 54, presente na constituição de 1967, a qual não permitia às mulheres a prática de esportes, como o futebol, porquanto eram tidos como incompatíveis à natureza feminina. Isso posto, pode-se relacionar à conjuntura, a inabilidade política em incentivar as mulheres ao futebol dado o pouco acesso ao lazer devido, sobremodo, às atividades domésticas, as quais, segundo o jornal “O globo”, ocupam 25 horas semanais da rotina da maioria das mulheres e dificultam a inserção feminina em atividades físicas. Portanto, elucida-se a necessidade em criar políticas públicas propiciatórias para equidade de gênero no esporte.
Outrossim, nota-se a importância da representatividade feminina. Dessa forma, em 2015, o Museu do futebol inaugurou a exposição " Visibilidade para o futebol feminino”, com o fito de mostrar a trajetória da mulher no esporte e, assim, estimular o ingresso ao futebol. Diante disso, é imprescindível observar a ausência de um planejamento específico para equipes femininas, uma vez que os clubes brasileiros reaproveitam a estrutura do futebol masculino e reproduzem a problemática patriarcal no esporte. Desse modo, desenvolver centros de discussão acerca dos questionamentos dos papéis sociais femininos no futebol torna-se indubitável, no intuito de ampliar o espaço de conquista das mulheres no esporte.
Dessarte, reafirma-se a inevitabilidade em discorrer sobre o papel da mulher no futebol. Logo, as Secretarias Municipais devem promove encontros lúdicos nas escolas, mediante semanas de extensão, tais como o projeto social " Empodera", o qual visa estimular a participação feminina no futebol, a fim de romper os tabus no esporte. Além disso, cabe ao Governo Federal elaborar propostas esportivas com times femininos, por meio do patrocínio com clubes privados, os quais estabeleçam a obrigatoriedade da participação de meninas em diversas atividades físicas, com o objetivo de ampliar a representatividade feminina no esporte. Assim, garantir-se-á a inserção feminina no futebol.