O papel da mulher no futebol

Enviada em 24/04/2020

No ano de 2019, foi sediado na França a 8ª edição da Copa do Mundo de Futebol Feminino. A competição que foi, pela primeira vez, transmitida em TV aberta no Brasil, deu margem a questões pertinentes ao papel da mulher no futebol brasileiro. Entre essas questões, estavam a interrupção do desenvolvimento dessa prática esportiva por mulheres no país, frutos de uma sociedade machista, além da subjugação feminina em categorias técnicas do futebol envolvendo casos de assédio e falta de devido reconhecimento.

Não raro, no Brasil, ouve-se que futebol “não é coisa de mulher”. Tal pensamento, fez vigorar no país, durante os anos de 1941 a 1979, uma lei que proibia a prática do futebol por mulheres em todo território nacional, alegando que o esporte “não condizia com a natureza feminina”. Esse período, não só, enraizou a crença da incompatibilidade do gênero feminino com a modalidade esportiva, como também, impediu o desenvolvimento da participação da mulher nos ambientes profissionais do esporte. Isso é comprovado comparando o tempo entre a criação oficial da Seleção Masculina de Futebol, em 1914, e a montagem de uma Seleção Feminina, criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apenas em 1988, sendo essa, na época, apenas de caráter provisório

Apesar da novidade na transmissão da Copa no Brasil, casos de inferiorização do papel da mulher no futebol não é algo novo no país. Além das várias ocasiões nas quais a capacidade feminina e seus conhecimentos de futebol são postos em xeque, há também a disparidade no reconhecimento dado entre jogadoras e jogadores. O maior exemplo desse fenômeno, é a artilheira da Seleção Brasileira, Marta. Sendo que, enquanto a esportista, eleita 6 vezes a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional de Futebol (FIFA), recebe um salário anual na casa dos milhares, Neymar, jogador brasileiro com muito menos prestígio e com rendimento muito mais baixo, ganha anualmente uma cifra na casa dos milhões.

Desse modo, a fim de reverter tal quadro, setores da mídia esportiva, como programas e canais de TV, além das organizações técnicas responsáveis, como a Cbf e Fifa, devem entrar em ação. Esses agentes dariam mais espaço a mulheres em cargos de comentarista, juíza, treinadora e bandeirinha - isso independentemente do gênero dos competidores. Tal atitudes incentivaram uma mudança na mentalidade social aumentando, não só, o reconhecimento do papel feminino no futebol, como também, a prática, por mulheres, do esporte. Assim, marcas profundamente negativas da sociedade brasileira, causadas por um erro do passado, seriam, enfim, corrigidas.