O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
O filme “Mulan”, da Disney, retrata uma jovem que luta contra todos os princípios sociais impostos somente pelo simples fato de pertencer ao sexo feminino. Fora das telas, percebe-se que há o aparecimento, como na animação, de “Mulans brasileiras” quando se observa a questão do papel da mulher no futebol. Nesse contexto, o descaso de parte da sociedade e a negligência da escola agravam tal problema no Brasil.
Em primeira análise, é importante compreender que o papel da mulher, sobretudo no futebol, é de extrema relevância social para a questão da igualdade de direitos, como consta na Constituição Federal. Porém, essa realidade não é, muitas vezes, estabelecida porque o “machismo cultural” ainda se encontra presente em parte da sociedade. Desse modo, cria-se uma “hierarquização” de gênero no meio social, visto que há uma diferença enorme de prestígio e visibilidade dos jogos do sexo feminino e masculino. Isso pode se associar à “banalização do mal” que, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, é um sistema no qual naturaliza o mal como parte sutil do ser humano. Isto é, uma parcela dos indivíduos negligenciam o papel da mulher no futebol e, consequentemente, banalizam o preconceito. Assim, fica evidente que as “Mulans brasileiras” são excluídas e tolhidas de direitos humanos no país.
Além disso, há também a negligência da escola que é mais um fator para agravar o problema das mulheres no futebol. Essa prática ocorre porque, muitas vezes, a formação escolar não é associada aos problemas sociais, no que se diz respeito ao papel do sexo feminino. Isso pode se atrelar à “educação bancária”, do educador Paulo Freire, que é um ensino baseado no acúmulo de conhecimento. Ou seja, a escola possui um método pedagógico que estimula apenas a “absorção” de conteúdos considerados irrelevantes, como qual é o maior rio do mundo, sem fomentar a importância das “Mulans brasileiras” no futebol. Desse modo, o indivíduo fica à mercê de uma pedagogia primitiva que, geralmente, não aborda a questão do empoderamento feminino de forma a contribuir para uma sociedade menos desigual.
Portanto, a fim de dar mais importância ao papel da mulher no futebol, a sociedade civil deve, em associação ao Estado, criar debates, nas instituições escolares, com a participação de especialistas para explicar a questão do empoderamento feminino e da igualdade de direitos. Junto a isso, a escola precisa organizar fóruns, nas comunidades, para associar a formação aos problemas sociais, no que se diz respeito ao papel das mulheres no futebol, com o objetivo de quebrar paradigmas. Ademais, a mídia necessita, em parceria ao Ministério Público, dar mais visibilidade aos jogos femininos por meio da transmissão esportiva dos campeonatos nos canais abertos para que, assim, a discriminação de gênero seja vista apenas no filme “Mulan” da Disney.