O papel da mulher no futebol
Enviada em 03/05/2020
Na Grécia Antiga, as famosas Olimpíadas possuíam grande importância para a população daquele tempo. No entanto, essa atividade era limitada à parcela masculina que se encaixava no ideal de cidadão da época. Essa realidade fez com que as mulheres adquirissem uma participação passiva nesses eventos, o que, ao longo da história, resultou na exclusão dessas do esporte, sobretudo o futebol, tradicionalmente masculino, em especial no Brasil. Diante disso, é essencial analisar o papel da mulher nesse esporte, prejudicado pelo machismo e pela falta de visibilidade nacional.
A priori, um dos maiores problemas enfrentados pelas mulheres no futebol é o machismo enraizado na sociedade. Até 1979, no Brasil, as mulheres foram proibidas de praticar o esporte, sob a justificativa de não possuírem o corpo adaptado para tal atividade. Essa narrativa corrobora o pensamento do filósofo francês Michel Foucault sobre a docialização dos corpos, o qual afirma que mecanismos de poder moldam o indivíduo de acorda com seus interesses. Dessa forma, tais mecanismos representam o Estado que, ao subjugar e estereotipar a figura feminina, impôs seu poder, impedindo a inclusão das mulheres e o crescimento do futebol feminino.
Ademais, a falta de visibilidade das jogadoras também é uma grande problemática a ser enfrentada. Segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, quando o indivíduo é exposto muitas vezes a uma situação ruim, ele tende a banalizá-la, considerando-a normal. Esse pensamento, denominado de banalização do mal, corrobora essa falta de projeção nacional das jogadoras femininas. Isso ocorre porque o fato das mulheres serem cotidianamente subjugadas no país, aliado à tradição do futebol masculino brasileiro, faz com que o menosprezo e o desconhecimento acerca das jogadoras femininas seja normalizado na sociedade, que não busca meios para modificar essa conjuntura.
É necessário, portanto, medidas que alterem esse contexto. Para isso, o Ministério da Cidadania incentivará um maior reconhecimento do futebol feminino por meio de uma campanha de projeção nacional. Essa campanha consistirá na obrigatoriedade das emissoras em transmitir uma quantidade mínima de 10 jogos dos campeonatos futebolísticos femininos, a fim de que haja uma maior adesão da torcida e de que o contato com esses campeonatos permita uma superação do machismo nesse âmbito. Além disso, o mesmo órgão promoverá uma maior presença nos estádios. Essa medida ocorrerá por meio do desenvolvimento de festivais e eventos a serem realizados depois dos jogos, nas proximidades dos estádios, com interações para toda a família. Dessa maneira, a visibilidade dessa atividade esportiva aumentará e, diferentemente da Antiguidade Grega, superaremos de vez a exclusão das mulheres no futebol.