O papel da mulher no futebol

Enviada em 01/05/2020

Na série Agente Carter, a protagonista enfrenta o machismo circundando em seu ambiente de trabalho. Fora do tablado ficcional, inúmeras mulheres convivem com o desafio de superar o sistema patriarcado no Brasil, sobretudo no futebol, uma vez que esse esporte é considerado como uma prática masculina. Nessa conjuntura, é necessário analisar a persistência do preconceito social contra mulheres que jogam futebol, bem como as desigualdades entre os sexos na esfera futebolística.

A priori, a dificuldade de mulheres ingressarem no futebol é fruto, geralmente, da discriminação social. Isso ocorre porque essa prática esportiva é considerada masculina para uma parcela significativa da população, posto que tal atividade promove contatos físicos entre os participantes. Dessa forma, devido aos choques, o futebol não é aceita pelo pensamento coletivo como profissão ou lazer para o sexo feminino. Tal panorama foi potencializado no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas, pois em 1941 o presidente efetivou um Decreto-Lei posicionando o Estado sobre o papel feminino, em que proibiram as mulheres da prática de esportes, a qual fossem contra sua natureza. Portanto, a lei preconizada durante o governo do regente populista promove nos dias atuais a discriminação, em diferentes “campos”, de mulheres que jogam futebol.

A posteriori, é necessário analisar as desigualdades entre homens e mulheres na esfera futebolística. Isso se explica a partir da discrepância entre os sexos no futebol, haja vista as diferenças quando a divulgação e visibilidade midiática, suporte técnico, apoio de patrocinadores, números de competições e salários dos atletas. Dessa forma, a modalidade feminina é pouco incentivada e praticada no Brasil, visto que são vários os obstáculos para profissionalização dessa prática esportiva para o gênero feminino. Tal perspectiva é comprovada, por exemplo, em reportagem veiculada no site UOL, a qual apresenta que o desportista Neymar ganha 175 vezes mais que a jogadora Marta. Logo, é notório o abismo envolvendo a mulher e o homem no futebol.

Destarte, fazem necessárias medidas para eliminar os desafios de mulheres que convivem na esfera futebolística. Para isso, a mídia deve criar campanhas de conscientização, por meio de debates com atletas femininas, em que essas profissionais apresentem o futebol feminino para a população, mostrando as conquistas adquiridas dentro em fora dos gramados, a fim de reduzir o preconceito social contra essas cidadãs. Paralelo a isso, as jogadoras devem protestar por melhores condições no universo futebolístico, a partir de reivindicações das melhorias salariais e veiculação de competições femininas, em que clubes, patrocinadores e empresas de transmissões ofereçam condições similares as disponibilizada ao futebol masculino, para assim diminuir o abismo entre os sexos no futebol.