O papel da mulher no futebol

Enviada em 02/05/2020

Em 2011, o time de futebol de salão do Santos Futebol Clube precisou fechar as portas por falta de verba. Tal situação contradiz-se com o tratamento direcionado ao futebol masculino, visto que o jogador Neymar Júnior recebia um salário substancial na mesma época. Infelizmente, o tratamento dado as mulheres no futebol está longe de ser justo, e o papel exercido por elas é desconsiderado no Brasil. Dentre as justificativas dessa problemática, estão a antiga consideração de preceitos deterministas e o machismo ainda enraizado na sociedade.

Primeiramente, observa-se que o papel das mulheres no futebol é desconsiderado por conta da continuação de preceitos deterministas no território brasileiro. Segundo a Filosofia, o determinismo é uma corrente de pensamento que afirma a causalidade das situações, como uma lei universal. Isso, contribui para o preceito de que porque os homens são biologicamente mais fortes, são mais propensos a exercer a função de um jogador de futebol, enquanto que as mulheres não. Aliado a isso, tanto a capacidade, quanto a adesão de mais mulheres a esta prática desportiva são colocadas à prova sem qualquer necessidade, o que acaba diminuindo a adesão do esporte. Consequentemente, o papel exercido pelas mulheres na prática é deixado de lado, diante dessas considerações ultrapassadas.

Além disso, nota-se que o machismo ainda enraizado na sociedade prejudica o papel das mulheres no futebol. De acordo com o IBGE, uma mulher ganha apenas 70% do salário que um homem ganha exercendo a mesma profissão. Ou seja, uma jogadora, juíza de futebol, bandeirinha de partida, integrante de delegação ou até mesmo treinadora, é remunerada com apenas quase três quartos do que um homem recebe, e isso auxilia na continuidade do machismo incutido nos indivíduos brasileiros. Baseado nessa afirmativa, é possível observar o quanto isso prejudica o papel da mulher no futebol, visto que seu trabalho é pouco valorizado única e especificamente pelo fato de ser do sexo feminino, e se a situação não mudar, o futebol feminino sempre terá menos reconhecimento do que o masculino.

Portanto, medidas que mudem a problemática e reconheçam o papel da mulher no futebol fazem-se necessárias. O Ministério do Esporte deverá aliar-se ao Ministério da Educação e criar material explicativo sobre como o futebol feminino é importante e o veicular, em locais públicos e nas escolas de todo o país. Além disso, deverá aliar-se ao Ministério da Justiça e criar, em conjunto, uma emenda constitucional que garanta salários iguais a todos os trabalhadores do Brasil, sem distinção alguma sobre homens e mulheres em suas funções. Dessa forma, as várias atribuições femininas no futebol terão seu espaço reservado com justiça e equidade.