O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

No conhecido filme infantil “Mulan”, é retratado a história de uma guerreira chinesa que vai para guerra fingindo ser um homem para poupar seu pai. Fora dos tablados da ficção, o fato da heroína não se encaixar no “padrão” imposto pela sociedade, reconhecido na figura da mulher casada e submissa, fez com que Mulan se tornasse símbolo de empoderamento para que as mulheres seguissem caminhos que antes eram considerados apenas masculinos, como é o caso do futebol. No entanto, a realidade enfrentada pelas atletas apresenta um cenário machista e desigual, tendo em vista que no futebol feminino há o descrédito da capacidade delas por parte da população, bem como não se apresenta a visibilidade necessária pela mídia, sendo, portanto, aspectos que precisam ser analisados.

A princípio, segundo o pensamento de Simone de Beauvoir, “ninguém nasce mulher, torna-se uma”. Isso significa que ser mulher é, em um país como o Brasil, uma construção. Tal processo é construído dentro de um país secularmente datado de bases machistas que persiste por questões culturais até hoje. Isso contribui para o descrédito com o futebol feminino imposto por parte da população, pois, de acordo com o “habitus” de Bourdieu, o indivíduo tende a absorver a cultura do meio em que vive e o Brasil foi construído em solo patriarcal, que enxerga a mulher apenas como procriadora e dona de casa e que, consequentemente, passa a ser descredibilizada quando decide viver além dessa imposição.

Outrossim, as mulheres representam, no Brasil, pouco mais da metade da população (51,5%) segundo o IBGE. Apesar de numericamente superior, as mulheres são classificadas como minoria, pois foram historicamente afastadas do poder, dos estudos e do mercado de trabalho. Isso significa que a valorização feminina é dificultada porque por muito tempo as mulheres foram excluídas de alguns cenários por julgarem ser apenas de viés masculino. Ademais, só em 2019 foi transmitida pela primeira vez na televisão uma copa do mundo feminina, o que ratifica ainda mais a desigualdade. Dessa forma, a falta de visibilidade através da mídia contribui para a reclusão das mulheres do cenário esportivo, através da diferença salarial entre os gêneros e o discurso de que “isso não é coisa de mulher”.

Torna-se evidente, portanto, que para aumentar a visibilidade das mulheres nessa profissão é necessário que o Estado garanta direitos iguais dentro do âmbito esportista, por meio de um regimento que promova o mesmo piso salarial entre os gêneros. Além disso, cabe a mídia propagar a participação feminina nos campos como atleta e ábritra, mas também no jornalismo esportivo, por meio da televisão, com o fito de que a população entenda que lugar de mulher é onde ela quiser. Dessa forma, chegar-se-á em um país com garantia de igualdade, no qual a história de Mulan será mais valorizada do que os contos de fadas que colocam a mulher como submissa.