O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

Na série televisiva Três é demais, Michele ousa participar de uma brincadeira que é considerada ‘‘coisa de menino’’ e é extremamente reprimida pelos seus colegas. Fora da ficção, é muito comum que meninas, assim como Michele, sofram um preconceito por desejarem jogar esportes que são majoritariamente competidos por garotos, como por exemplo o futebol. Sob essa perspectiva, é importante compreender que a causa dessa discriminação é histórica e vai além das ‘‘piadinhas’’, pois é refletida na desigualdade dos salários. Além disso, é fundamental analisar o impacto da mudança do papel da mulher e a necessidade do reconhecimento feminino nos esportes.

A priori, é válido pontuar que a igualdade entre homens e mulheres foi consagrada apenas na Constituição Federal no ano de 1988, antes dela, as mulheres eram até submetidas a castigos físicos por seus cônjuges. Embora a Constituição proíba, por exemplo, a desigualdade salarial entre gêneros, essa problemática persiste, inclusive no âmbito esportivo. Isso é evidenciado no momento em que o salário de Neymar, no Santos, era o suficiente para arcar os custos de todo o time feminino e, apesar disso, o clube acabou com a equipe. Tal fato não se trata apenas de redução de despesas, mas evidencia um machismo enraizado na sociedade brasileira, o qual compreende que as mulheres não devem exercer as mesmas funções que o homem e, como uma ‘‘penalidade’’, elas são desvalorizadas.

Observa-se também, que a discrepância entre os salários é um reflexo da atenção exclusiva dada aos times masculinos. Esses são patrocinados por diversas marcas, logo há uma maior propaganda. Em contrapartida, os times femininos não são divulgados e, consequentemente, menosprezados pelos amantes do esporte. Pontua-se ainda, que a Seleção Brasileira Feminina possui mais títulos, vitórias e gols do que a Masculina, entretanto essa, mesmo perdendo de 7x1, é o foco dos telespectadores. Diante desse contexto, as mulheres viram nas redes sociais um meio para denunciar a falta de reconhecimento. Em 2019, Marta, atleta com mais títulos, usou batom sangria, como forma de protesto e o time foi patrocinado por uma marca de cosméticos. Entretanto, é necessário ir além de uma marca, é preciso que os brasileiros entendam que a mulher é tão capaz quanto o homem no meio futebolístico.

Portanto, há uma necessidade da equidade de oportunidades em todos os níveis do futebol feminino, desde a preparação técnica até a cobertura da mídia nos eventos envolvendo a modalidade. Isso só ocorrerá por meio de intervenções políticas na Confederação de Futebol Brasileira, órgão administrativo responsável pelo desporto no país,  como a criação de mais campeonatos de forma estruturada e organizada, que despertem o interesse da mídia televisiva e confiram visibilidade ao futebol feminino.