O papel da mulher no futebol
Enviada em 02/05/2020
Em conformidade com a Gazeta Esportiva, menos de 2% dos cargos de comando no futebol são ocupados por mulheres. Tal fato reflete a imensa desigualdade existente dentro desse campo esportivo. Em contrapartida, a participação feminina se torna cada vez mais importante, visto que as mulheres usam a prática desse esporte para o empoderamento e buscam a igualdade salarial.
Em primeira análise, no Brasil, futebol sempre foi um esporte muito prestigiado. No entanto, o futebol feminino ainda não é valorizado como o masculino, já que a prática se distancia das ideias retrógradas do papel feminino na sociedade. De acordo com o Decreto-Lei 3199 sancionado no governo de Getúlio Vargas em 1941, as mulheres foram limitadas de praticar esportes que não fossem adequados à sua natureza. Dessa forma, a participação das mulheres no esporte foi praticamente proibida, uma vez que a “natureza feminina” cultuada nessa época era a maternidade. Por esse motivo, atualmente as mulheres no futebol iniciam um processo de desconstrução de uma cultura sexista e excludente e mostram que são capazes tanto quanto os homens. Porém, ainda há grandes marcas dos pensamentos enraizados na população, como o fato de muitas instituições brasileiras liberarem estudantes e funcionários em dias de jogo da seleção masculina, mas não nos da feminina.
Em segunda análise, além da questão social fortemente presente, a desigualdade no futebol atinge também o âmbito financeiro. Isso porque há uma gritante disparidade salarial entre jogadores do sexo masculino e feminino, o que reforça a ideia de uma indústria machista e segregadora. no Brasil, segundo o Estadão, enquanto a folha de pagamento dos homens gira em torno de 10 milhões de reais, a das mulheres é de 100 mil. Tal fato deixa claro que o futebol masculino é muito mais valorizado que o feminino, apesar da prática ser a mesma e também a rotina de treinos e jogos. Dessa maneira, esse fato desestimula ainda mais as mulheres de seguirem a profissão que desejam no futebol, visto que não há reconhecimento e oportunidades.
Portanto, para que o papel feminino no futebol de empoderamento e inspiração seja sucedido, é preciso que as instituições de ensino e trabalho e empresas reduzam a desigualdade a partir do estabelecimento de políticas igualitárias na liberação de funcionários e estudantes para que ambos ramos da prática esportiva sejam valorizados igualmente. Além disso, é necessário que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) torne os salários no futebol iguais entre homens e mulheres os quais ocupam as mesmas posições, através de uma lei que estabeleça um valor a ser pago aos jogadores de forma uniforme, para que não haja mais uma disparidade financeira e consequentemente a desvalorização de nenhum dos profissionais.