O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

No Brasil, a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino foi transmitida, em rede nacional, no ano de 2019. Por mais que esse fato retrate um avanço, as mulheres ainda enfrentam diversos obstáculos em sua afirmação no referido esporte. Dentre eles, estão a persistência da desigualdade entre gêneros dentro da indústria futebolística, assim como, a carência de apoio social em sua luta por re-conhecimento.

Em primeira análise, é importante ressaltar que, devido ao contexto histórico, o Brasil ainda apresenta um forte aspecto cultural de viés machista. Partindo desse quadro, de acordo com pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), as mulheres ganham aproxi-madamente 73% do salário de um homem, ocupando o mesmo cargo e com semelhantes condições de escolaridade, e no futebol, essa disparidade é ainda mais acentuada, vez que, a falta de visibilidade da categoria feminina, frente a mídia, torna, as atletas menos lucrativas à indústria desportiva, em comparação com o grupo masculino. Ademais, a segregação de gênero está contida, também, na falta de credibilidade, em geral masculina, na capacidade de, juízas, assistentes, entre outras integrantes do comitê de julgamento, em exercer a função corretamente. Dessa forma, as ações afirmativas das mulheres, no futebol, são extremamente necessárias para garantir a igualdade de salários, patrocínios e o respeito devido.

Além disso, o engajamento social é um outro fator de extrema importância ao pleno ofício da mulher no meio futebolístico, seja por participação como público, ou até mesmo o simples apoio à causa em si, e um grande inibidor desse auxílio popular, é a mídia. Segundo o filósofo Adorno, a indústria midiática é baseada no lucro, ou seja, promove apenas os conteúdos de consumo em massa. Nesse viés, por não apresentar forte apelo de vendas, os jogos e conquistas do futebol feminino não são amplamente divulgados, e, por essa falta de conhecimento, a maior parte da população ignora a necessidade de suporte à essa causa, tão importante em várias esferas.

Em suma, para de garantir o papel digno da mulher no futebol, no Brasil, é necessário que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol), imponha aos times, cotas de participação feminina, nos clubes, assim como salários bases e investimento satisfatório, os quais garantam o sumo desempenho feminino no esporte, e dessa forma, mitigue a disparidade entre gêneros na indústria futebolística. Por fim, o Governo deve, em conjunto com a mídia, criar campanhas televisivas, as quais divulguem amplamento o futebol feminino e promovam as atletas, com intuito angariar apoio social à causa e participação popular nos jogos esportivos, e assim, garantir o espaço da mulher no futebol brasileiro.