O papel da mulher no futebol
Enviada em 04/05/2020
“Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Essa máxima, declarada pela filósofa Simone Beauvoir engloba uma nova ideia em relação ao que se pensava décadas atrás ou até milhares de anos, como na Grécia antiga a respeito da feminilidade como algo natural a ser conservado. Assim como essa estudiosa, na contemporaneidade do Brasil, parte da sociedade assume tal pensamento por meio de transições com as atividades femininas do século XXI, como o futebol, que atribui à mulher papel fundamental quanto ao desbravamento identidário de si, incentivo ao reconhecimento social acerca da diversidade de gênero e, consequentimente, quebra de esteriótipos.
A princípio, é necessário considerar a o papel de novas explorações identidárias pela mulher no futebol.Isso acontece, porque o acesso do corpo feminino a tal esporte coincide com a prática da “maiêutica”, assim pronunciada pelo filósofo sócrates, ou seja, o questionamento de saberes aparentes a fim de estabelecer um caminho em busca da verdade. Dessa forma, posto que ,em meados do século XX, a feminilidade era a única opção de gênero a ser aceita, hoje, por meio dessa atividade desportiva, as “damas” podem assumir o papel de romper com essa realidade e abranger outras possibilidades diversas, de maneira a optar aquela que melhor lhe identifica e seguí-la de forma democrática. Além disso, é preciso ressaltar também o papel da mulher inserida no contexo desportivo no que se refere ao reconhecimento social da diversidade de gênero e quebra de esteriótipos.
Isso acontece, porque o corpo feminino esportista está associada a “Indústria Cultural”, fenômeno moderno designado pelos filósofos Adorno e Horkeheimer. Ou seja, posto que o futebol se trata de uma atividade de alta relevância popular, a “dama de chuteira” faz parte das divulgações disseminadas pelos meios de comunicação de massa na mída e, dessa forma, assume a função de orientar e estabelecer a reflexão à sociedade acerca do debate de gênero e, por conseguinte, a quebra de esteriótipos formados e ainda estruturados na contemporaneidade do Brasil, no que diz respeito a ideia preconcebida de delicadeza e fragilidade do comportamento feminino no convívio social.
Em virtude dos fatos mencionados, é possível observar a relevância da mulher no futebol quanto aos papeis que ela pode desempenhar em função da sociedade brasileira. Nesse sentido, é necessário que o Estado forneça auxilio no ingresso mais democrático e remunerado do segmento femino em tal esporte, por meio de incentivos financeiros a clubes que selecionam e receitam o salário das jogadoras, para que estas possam se utilizar do esporte conforme o seu gênero identidário. Além disso, a mídia deve ampliar o acesso popular aos jogos de mulheres pelos meios de comunição de massa a fim de que se consolide o reconhecimento social dessa atividade feminina e, por fim, quebra de esteriótipos.