O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
O século XIX, período de efervescência política, foi marcado por constrastes e posições antagônicas sobre o papel feminino na sociedade. Uma dessas definições, representada pela pintura “Cena de Família”, do artista Almeida Júnior, retrata a função social da mulher como apegada aos elementos domésticos. Tal obra de arte dificulta o processo de ocupação, por parte das mulheres, de outros setores do âmbito público, como o futebol. Por isso, cabe discutir a formação da identidade desse sexo e a falta de incentivo nesse esporte quando exercido pela figura feminina.
Primeiramente, vale analisar a composição da personalidade do “sexo frágil”, segundo o conceito moderno. Com base nisso, a teoria da “identidade definida”, categorizada pela pensadora Judith Butler, afirma que a formação identitária da fêmea é determinada pelo conceito de habilidades “pré-existentes”, ou seja, os sexos possuem, de acordo com o modelo patriarcal de Almeida Júnior, capacidades distintas. Dentro desse âmbito filosófico, pode-se afirmar que o papel da mulher no futebol é, justamente, romper com essa tradição que impõe a existência de uma separação da mulher quando se trata desse esporte. Por esse motivo, é importante que haja, cada vez maior, uma participação delas nessa prática esportiva, a fim de promover a ruptura com esse idealismo preconceituoso.
Ademais, é válido pontuar a falta de incentivos financeiros como uma dificuldade em concretizar esse papel. Nesse prisma, a empresa “Sport Promotion”, responsável pelo marketing esportivo, divulgou que a equipe masculina, em média, ganha 141 vezes mais do que a feminina em um campeonato nacional brasileiro. Tal afirmação revela, infelizmente, a desvalorização da mulher nos torneios futebolísticos, a qual torna difícil uma mudança no conceito Butleriano de “identidade definida” na sociedade moderna, que, embora tão avançada tecnologicamente, não consegue lidar com uma mudança de padrões comportamentais. Com essa conjuntura, a ocupação da figura feminina nesses espaços é caracterizado por uma constante luta pela mudança de pensamento em relação aos papéis de gênero.
Nota-se, portanto, a urgência em propôr meios para resolver tais impasses. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania, responsável pela garantia de uma harmoniosa convivência entre os setores da sociedade, crie um programa chamado “Mulher no Esporte”, por meio de 30% das verbas destinadas a tal Ministério, que invista em campeonatos regionais e nacionais de futebol feminino. Feito isso, a fim de que haja uma integração das mulheres nesse esporte cada vez mais efetiva e duradoura, a representação da “Família unida” de Almeida se tornará apenas um idealismo sem fundamento.