O papel da mulher no futebol
Enviada em 03/05/2020
A primeira mulher a alcançar o mais alto cargo político no Brasil, a presidência, foi Dilma Rousseff e ocorreu somente no ano de 2010. Isso não diverge da realidade hodierna do futebol brasileiro, a qual a mulher faz parte da minoria e é vítima de preconceitos por adentrar um espaço anteriormente único do sexo masculino. Essa discriminação encontra-se na desvalorização do protagonismo feminino pela sociedade e no disfarce em salários desiguais para o mesmo cargo.
Mormente, a ausência da valorização do papel feminino no futebol potencializa a manutenção da dominação masculina no âmbito. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, o novo sempre desperta perplexidade e resistência. Nesse sentido, em analogia, a entrada feminina nos estádios ocasionou à oposição da população na forma do preconceito de gênero secular da sociedade, o qual impede a expansão do quantitativo de mulheres dentro desse espaço masculino. Essa intolerância configura-se pertencente à cultura machista brasileira, como o fato da artilheira Marta da seleção do Brasil ser considerada 6 vezes a Melhor Jogadora do Mundo, ultrapassando jogadores de ambos sexos, e ser menos reconhecida e divulgada que a parcela dos atletas homens é um retrato do sexismo no país.
Em paralelo, as divergências nos salários de indivíduos que trabalham com a área futebolística é um fator agravador da problemática. Sendo assim, de acordo com os dados divulgados pelo site UOL, existe um “abismo financeiro” entre o pagamento dos jogadores Marta e Neymar da seleção brasileira de 14,1 milhões de dólares. Sob essa ótica, a diferença salarial é um consequência da discriminação sofrida pelas mulheres dentro do espaço futebolístico, entretanto, existem movimentos sociais que buscam modificar esse formato machista, como a mobilização GoEqual que ocorreu durante a Copa do Mundo Feminina em 2019 para combater a desigualdade salarial nos campos, a qual as atletas utilizaram chuteiras sem patrocínio, pretas com um único símbolo, o da igualdade. Esse evento foi um dos marcos da luta para estabelecer o papel feminino no futebol e ampliar a participação das mulheres.
Destarte, a inserção das mulheres no futebol é marcado de discriminações. Dessa forma, é dever da mídia alterar a mentalidade preconceituosa brasileira acerca ao papel feminino por meio de campanhas digitais nas mídias sociais com a participação de mulheres influentes em todos os âmbitos, objetivando mitigar essa desvalorização. Além disso, cabe à Confederação Brasileira de Futebol combater as desigualdades salariais com o estabelecimento de limites máximos entre a diferença do salário entre os gêneros, visando efetivar o papel futebolístico das mulheres. Assim, há a possibilidade do Brasil possuir mais exemplos como Dilma Rousseff.