O papel da mulher no futebol
Enviada em 03/05/2020
Segundo a filosofa Simone Beauvoir: “ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Nessa lógica, acreditar que a mulher possui um papel fixo e estabelecido no futebol é uma convenção social arraigada a cultura brasileira. Essa realidade segue até os dias atuais devido a uma perpetuação de uma cultura machista e patriarcal e pela falta de apoio do futebol masculino aos protestos da categoria feminina do esporte.
Em primeira análise, a cultura brasileira está enraizada em valores machistas. Prova disso são os relatos históricos da luta pelo sufrágio universal, por parte das mulheres, nas décadas passadas. Por consequência disso, existe a tendência da sociedade, juntamente com os profissionais da área, sejam estabelecidos papéis pré-determinados no ramo futebolístico. Isso ocorre mediante, como dito pelo filósofo Bourdie, a exteriorização da interiorização desses costume machista que envolve o Brasil. Nessa perspectiva, a mentalidade que continua acreditando haver limite para a participação das mulheres no futebol, impede que o esporte seja enriquecido ainda mais.
Em segunda análise, a falta de apoio por parte do futebol masculino a luta da categoria feminina dificulta ainda mais a conquista do espaço pelas mulheres no esporte. Exemplo dessa falta de apoio é o silêncio assumido pela maioria dos jogadores homens diante os protestos feitos pela jogadora Marta durante a Copa do Mundo de Futebol Feminino no ano de 2019. Diante disso, a luta das mulheres para conquistarem o devido reconhecimento nas mais diversas áreas do ramo se torna ainda mais complexa e difícil. Todavia, somado a isso, apesar da falta de apoio por parte da maior parcela dos homens, mulheres que ocupam as arquibancadas como torcedoras de clubes como o Grêmio e o São Paulo (a título de exemplo) se encontram nos jogos com o objetivo de dar força e demonstrar que não há limites para o papel da mulher no futebol.
Portanto, com o objetivo de romper os limites estabelecidos pela sociedade machista ao papel que a mulher deve ocupar no futebol, os clubes de futebol devem atribuir cotas de gênero de, no mínimo, 10% dos profissionais que atuam no campo, nas mais diversas áreas, tenham suas vagas preenchidas por mulheres. Somado a isso, a mídia deve investir em propagandas de futebol, com estrelas da categoria de ambos os sexos contracenando juntos, que demonstrem que a categoria, a cada dia que passa, se torna mais unissex. Dessa maneira, cada vez mais a sociedade excluirá a mentalidade preconceituosa quanto ao sexismo nesse esporte e acolherá o sexo feminismo na categoria. Dessa forma, o raciocínio da filosofa Simone Beavouir será colocado em vigor e não mais teremos o pré-estabelecimento do papel da mulher no futebol.