O papel da mulher no futebol
Enviada em 01/05/2020
A jogadora de futebol estadunidense Megan Rapinoe ganhou destaque no ano de 2019 ao declarar que não iria à Casa Branca caso sua equipe ganhasse a Copa do Mundo de Futebol Feminino, torneio de maior prestígio da modalidade. Essa atitude foi de suma importância para a luta pela igualdade de gênero nos esportes, visto que as ações da atleta buscavam demonstrar sua indignação com a situação em que as mulheres se encontravam no cenário esportivo. Dito isso, deve-se analisar como a falta de investimento por parte das autoridades e a persistência do machismo na sociedade contribuem para que as mulheres tenham seus papeis reduzidos no futebol.
Em primeira análise, é válido ressaltar que os salários das jogadoras de futebol é consideravelmente menor que a mensalidade dos atletas masculinos. Isso é comprovado pela revista France Football, ao divulgar que o vencedor da Bola de Ouro de 2018 (troféu que indica o melhor jogador de futebol do mundo), Lionel Messi, recebe 325 vezes mais dinheiro que a vencedora do mesmo prêmio na categoria feminina, Ada Hegerberg. Essa disparidade evidencia que as autoridades ligadas ao esporte investem muito menos na atividade feminina em relação aos homens, já que o salário dos futebolistas reflete a quantia monetária recebida pelos clubes quanto a premiações, direitos de imagem e patrocínios.
Em segunda análise, é importante salientar que a maior atenção dada ao futebol masculino, em comparação com o feminino, é resultado do machismo que se vê presente na sociedade. Isso porque o desrespeito praticado contra as mulheres, no cenário esportivo, vai além de uma questão financeira e está presente na vida das mulheres desde a infância. Esse preconceito é comentado pela jogadora brasileira Marta, ao afirmar, em discurso proferido na Organização das Nações Unidas, que ela foi alvo de discriminação e foi impedida de jogar futebol muitas vezes, durante sua infância, pois meninos e treinadores não permitiam que ela praticasse. Tal cenário é fruto de uma educação precária, que não ensina os menores a respeitar todos os gêneros de forma igual.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas a fim de que a igualdade de gênero seja alcançada no futebol. Para isso, é necessário que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) contribua para o crescimento do futebol feminino. Tal ação deve ser feita por meio da criação de regras que obriguem os patrocinadores e programas televisivos a investirem parte de sua renda na exposição, ao público, do esporte praticado pelas mulheres. Ademais, é de suma importância que o Ministério da Educação conscientize os estudantes brasileiros sobre o respeito que deve ser dado de forma igual a homens e mulheres, por meio de palestras que convidem especialistas no assunto e contem com a participação das famílias dos menores, de modo a reverter a situação do machismo presente na sociedade atual.