O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/05/2020

Na telenovela Fina Estampa, o personagem Pereirão, mulher que se autointitula “marido de aluguel”, realiza trabalhos reconhecidos socialmente como masculinos. Saindo da ficção, percebe-se o aumento do número de “pereirões” no futebol, esporte por décadas considerado pertencente ao gênero masculino. Dessa forma, a consolidação feminina no universo dos gramados proporciona o empoderamento e ressignifica a representatividade dessa classe nos campos.

Em primeira análise, cabe avaliar o papel feminino no futebol como forma de empoderamento. As mulheres representam, no Brasil, pouco mais da metade da população (51,5%), de acordo com o IBGE. Apesar de numericamente superior, elas são consideradas minoria, pois foram historicamente afastadas do poder, dos estudos e do mercado de trabalho. Sob essa ótica, a participação da mulher  no cenário futebolístico favorece o processo de empoderamento feminino, visto que possibilita a ascensão desse gênero em uma esfera considerada, por séculos, pertencente ao universo masculino.

Outrossim, a participação da mulher no futebol ressignifica a representatividade desse gênero no meio esportivo. A objetificação da imagem feminina associada ao consumo dentro de campo coloca o “sexo frágil” em um lugar de inferioridade diante diante das habilidades masculinas. Hodiernamente, através da atuação profissional de mulheres no futebol, tem sido possível reverter tal situação, um vez que tornam-se protagonistas nos gramados. No entanto, há desafios a serem enfrentados, pois muitos projetos ainda levam em conta aspectos físicos das jogadoras como critérios fundamentais para um “torneio bonito”, como o elaborado pela Federação Paulista de Futebol em 2001, o qual preconizava ações que enaltecessem a beleza e sensualidade das jogadoras para atrair o público masculino.

Diante disso, a fim de potencializar o papel da mulher no futebol, cabe ao Ministério da Educação, Esporte e Cultura incentivar a formação de times femininos em clubes futebolísticos, através de incentivos financeiros e bônus fiscais, com a finalidade de aumentar o número de mulheres atuantes nesse esporte. Ademais, cabe à Secretaria Especial do Esporte, em parceria com o Ministério da Justiça, punir marcas que associarem a sensualidade da mulher ao consumo dentro de campo, através da aplicação de multas e suspensão de contratos, para diminuir a representatividade errônea da mulher no futebol. Assim, será possível uma atuação efetiva de “pereirões” dentro dos gramados.