O papel da mulher no futebol
Enviada em 01/05/2020
Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. É isso que se vê no quadro ``O grito`´ do pintor Edvard Munch. Na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia da figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que vítima da desvalorização da mulher no futebol vivem algo semelhante, tendo em vista que elas tem sido esquecidas por setores da sociedade. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no Brasil.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao permitir a desvalorização feminina no futebol. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de elaboração de leis mais rígidas, uma vez que a legislação em vigor, por ser considerada branda, não tem inibido a diferença salarial apenas por questão de gênero no espaço esportivo, o que prejudica o direito à igualdade das mulheres. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados no ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente à desvalorização das mulheres no futebol apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários à assistência financeira, de forma sistemática, no financiamento da carreira feminina nos esportes. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle- Nemann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma espiral do silêncio, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que a desvalorização da mulheres no futebol deve ser combatida. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, a criação de um ordenamento jurídico mais rigoroso, para que não haja divergência salarial por questão de gênero no esporte. Ademais, é essencial sensibilizar a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, um maior investimento financeiro na carreira de jogadoras. Desse modo, o ´grito`` - diferente do da obra de Munch - poderia romper o ´´silêncio`` dos resignados.