O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

Ao descobrirem que Sian Massey iria arbitrar um jogo do campeonato inglês em 2011, o comentarista e o narrador da “Sky Sports” questionaram a capacidade  da mulher com frases como “Mas não sei se podemos confiar” ou “O que as mulheres sabem de impedimento?”. Episódios como esse que fragiliza, ilegitima e desmerece o discurso feminino, expõem o machismo presente até os dias hodiernos. Sob esse viés, é notório compreender os elementos que enquadram as mulheres em padrões, bem como a importância da quebra dele para a representatividade feminina,  com destaque o futebol.

É fundamental, em primeira análise, compreender como a sociedade frequentemente haja numa posição de modelar o sexo feminino.  Ao tomar como base o pensamento da filósofa Simone de Beauvoir, a partir do qual “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, nota-se que o ser feminino é uma construção, um modelo já predeterminado pela sociedade vigente. Dessa forma, quando as mulheres assumem espaços que anteriormente eram destinados ao homem, mesmo tendo toda capacidade necessária, ainda sim tem seu discurso e sua autoridade invalidada. Prova dessa construção para o ser feminino são os contos de fadas, há uma padronização da mulher, revelando um pensamento feminino como idiota, ingênuo, frágil, inocente e com a constante necessidade de ser salva, sendo negado à mulher espaços como o ramo automobilístico, construção, esportivo, principalmente futebol.

Admite-se, ainda, que se faz urgente a quebra dessas barreiras impostas à mulher, sendo mais notória a do futebol feminino. Convém ressaltar, nessa perspectiva, o pensamento do filósofo A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determina seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, desse modo, quando mulheres não se veem em certos espaços, acham que aquilo não é para o seu mundo. O maior exemplo disso é o futebol feminino, pois não recebem a mesma visibilidade e incentivo que o masculino. É nítido o abismo ao comparar os salários anuais de Neymar e Marta, US$ 14,5 milhões e US$ 400 mil, respectivamente. Assim, o papel da mulher no futebol vai muito além de entretenimento, trata-se de representatividade para outras garotas, incentivo para alcançarem lugarem que anteriormente foram-lhe negados.

É imperativa uma ação de combate à questão da falta de representatividade feminina no futebol. Para isso, é imprescindível a imprensa socialmente engajada, pela capacidade de tem de amplo alcance populacional, pode, por intermédio das propagandas em veículos midiático, como a televisão (meio por onde o futebol tem mais notoriedade), instigar a prática do futebol feminino e a ida para os jogos femininos, a fim de incentiva-lo financeiramente e culturalmente. Objetivando a quebra de padrões socialmente estabelecido ao sexo feminino. Evitando cenários como a do jogo inglês.