O papel da mulher no futebol
Enviada em 08/05/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo indivíduo goza de igualdade independente do gênero. No entanto, quando o assunto é futebol, esses preceitos se tornam uma grande contradição com a realidade das atletas que provam serem mais do que simples jogadoras quando transformam o esporte num jogo politizado, revelando seus papéis de luta por igualdade e empoderamento feminino como uma de suas mais importantes habilidades.
A princípio, a matriz da questão se evidencia ao se analisar a importância da luta feminina dentro de campo como grande aliada na busca por igualdade de gênero. Isso se evidencia na relevância que tem os jogos para transmitir mensagens politizadas o que, por sua vez, transforma uma paixão nacional, como o futebol, num importante cenário para aumentar o engajamento social em prol luta feminina. Foi sobre essa perspectiva que, em 2019, a jogadora Marta, eleita por seis anos como a melhor jogadora do mundo, iniciou uma campanha por igualdade salarial ao entrar em campo com uma chuteira sem marca, apenas como o simbolo de igualdade, representando sua luta por equiparação salarial. O fato é que essa ação trouxe olhares de novos patrocinadores para o futebol feminino chamando atenção para uma causa esquecida, apesar da importância. Isso revela que a importância do futebol feminino vai muito além das “quatro linhas” e se torna um relevante ambiente de luta por direitos.
Além disso, esse cenário ganha ainda mais relevância ao se analisar o papel empoderador que tem o futebol feminino. Isso se deve ao fato de que, ao transcender a questão puramente esportista da modalidade, transformando-o num lugar ideal para se fazer política e pela emancipação feminina dentro de um ambiente que historicamente foi marcado pela presença massiva masculina, as atletas mulheres prestam um serviço social de extrema importância. Tal questão se materializa nos dados do instituto de pesquisas publicas, o IBOPE, que revelou um maior engajamento de mulheres no futebol após a transmissão da Copa do Mundo feminina no Brasil. Isso revela, segundo a filósofa Simone Beuvoir a afirmação de que a normatividade de gênero nas funções sociais é apenas um inconsequente acordo e, a prova disso é que as mulheres vêm passando a ser, maioria, também, nos demais setores antes ocupados apenas pelo público masculino.
Portanto, é necessário fortalecer a participação feminina no futebol. Desse modo, cabe ao Estado a tarefa de promover introduzir as mulheres no meio por meio de parceria com os clubes, fornecendo isenção fiscal em troca de maiores investimentos no futebol feminino para facilitar o acesso das mulheres aos “gramados”. Além disso, é preciso que a mídia dê voz a esse público por meio de mais transmissões de campeonatos a fim de difundir o futebol feminino dentro da sociedade brasileira.