O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

Por muitos anos o futebol foi considerado, por lei, como um esporte exclusivamente masculino e não condizente com a “natureza biológica” das mulheres. No Brasil, há 40 anos essa proibição ainda vigorava, conforme decreto assinado na ditadura Vargas e vigente até 1979. Hodiernamente, as mulheres têm alcançado um papel de representatividade no meio futebolístico, no entanto, ainda enfrentam preconceitos e falta de incentivos nesse ambiente patriarcal – em que os homens dominam todos os espaços de poder.

Em primeira instância, é necessária a análise da condição feminina perante a sociedade que impede a ascensão no futebol. Segundo a psicóloga Clarissa Pinkola, em sua obra mais prestigiada intitulada “Mulheres que correm com os lobos”, o desenvolvimento da civilização, baseado em mais de cinco mil anos de patriarcado, domesticou a alma feminina e sufocou os anseios e liberdades das mulheres. Como consequência, é comumente atribuído à figura feminina o estereótipo dócil e frágil, e tal situação possibilita a idealização de espaços restritos à imagem masculina, a exemplo do futebol. Porém, à medida em que há representatividade de mulheres nesses meios, existe uma quebra da ideia de exclusividade do homem a certos ambientes e profissões, além da alteração do pensamento patriarcalista e machista.

Em segunda instância, as jogadoras de futebol ainda enfrentam a falta de reconhecimento financeiro e midiático. Nessa perspectiva, um levantamento de 2016 feito pelo portal Gênero e Número, comparando os jogadores mais prestigiados da seleção brasileira, foi possível constatar que o atacante Neymar ganha um salário 175 vezes maior que a atacante Marta, eleita 6 vezes como a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional de Futebol (FIFA). Logo, constata-se a discrepância de visibilidade e valorização ao futebol feminino, assim como a necessidade de luta pelo reconhecimento e igualdade entre os gêneros no meio futebolístico.

Tendo em vista os fatos citados, é imprescindível que o Ministério da Educação insira nas salas de aula o debate, orientado por professores de sociologia, que busque mapear as diferenças sociais entre todos os gêneros, em vez de negá-las. Tal medida deverá resultar na conscientização das novas gerações sobre preconceitos históricos - como o machismo – que impedem as mulheres de alcançarem espaços dominados por homens, como o futebol. Paralelamente, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deve investir maiores recursos no esporte feminino, por meio do financiamento e profissionalização de clubes, além de promover maior aceitação do público pela visibilidade midiática, afim de prover iguais oportunidades para homens e mulheres no “país do futebol”.