O papel da mulher no futebol

Enviada em 07/05/2020

Durante a antiguidade, as mulheres espartanas exerciam um importante papel na manutenção da cidade, pois, visto que os homens ingressavam no exército muito cedo, elas se tornavam responsáveis pela casa e prosperidade do comércio. Contudo, nos dias de hoje, divergente ao que acontecia em Esparta, as mulheres, mesmo sendo maior parte da população brasileira, possuem menos destaque que o homem em grande parte dos setores sociais, o futebol sendo uma delas. Dessa forma, é válido analisar o papel da mulher no futebol a partir das esferas da equidade e da representatividade.

De início é válido ressaltar que grande parte da discrepância entre a valorização do futebol masculino ao feminino é proveniente do machismo enraizado na sociedade. Como teorizado pelo sociólogo Pierre Bordieu, o indivíduo nasce dentro de uma estrutura exterior e anterior a ele que é capaz de interferir na formação de seu caráter, assim, o machismo enraizado e disseminado pelo meio social interfere na visão deste sobre o futebol feminino, assim, prejudicando o público, patrocínios e salários dos times fe-

mininos que, por esse preconceito, ganham bem menos que os homens. Como exemplo, a jogadora Marta é a artilheira mais premiada com o prêmio de melhor jogadora pela Fifa, superando jogadores como Cristiano Ronaldo e Messi, e mesmo assim recebe um equivalente a 27,5% do salário anual de jogadores masculinos como Neymar.

Além disso, o futebol feminino apresenta uma grande importância na representatividade das mulheres em meios predominantemente dominado pelos homens. Como exemplo dessa representação temos a  Barbie, que, por meio de bonecas e desenhos animados como “Barbie: life in the dream house” apresentam a figura da personagem como uma mulher que conquistou todos os empregos que desejava, mesmo aqueles majoritariamente predominado pelos homens, como astronauta, piloto e policial. Assim, a ocupação de mulheres em cargos distintos como o futebol, representa para garotas, que são diariamente oprimidas pelas amarras sociais, que elas podem ser o que desejarem.

Portanto, é necessário que o Estado em conjunto com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos crie, em associação com o poder da Mídia, campanhas publicitárias de incentivo ao futebol feminino a partir de comerciais passados em horários nobres mostrando os melhores momentos dos jogos, de forma que incentive o telespectador a começar a acompanhar as partidas femininas. Ademais, é importante que a Mídia induza os canais abertos a divulgar jogos da seleção feminina na mesma frequência que os da masculina, seguido pelo aumento da transmissão de uma maior diversidade de partidas femininas em canais exportivos fechados, assim, dando o devido reconhecimento ao futebol feminino e incentivando um maior consumo e valorização dele.