O papel da mulher no futebol

Enviada em 06/05/2020

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todo e qualquer ser humano tem o direito a liberdade e a prática de esportes. Entretanto, é possível notar a disparidade entre os gêneros no âmbito do futebol. Tal realidade está diretamente relacionada com o fato da sociedade ser sustentada e direcionada pelo machismo histórico, assim como o desinteresse de empresas privadas na categoria feminina futebolística.

Desde muito pequenos somos condicionados e instruídos naquilo que diz respeito aos nossos sexos: biológico -macho ou fêmea- e social -homem ou mulher. Compreende-se, erroneamente, por meio de lições adquiridas culturalmente que existem atividades exclusivas para ambos os gêneros. Quando um indivíduo age de modo contrário ao esperado para ele pela sociedade, esse acaba sendo punido de maneira injustiçada, a exemplo, meninas que gostam de jogar futebol. Dessa forma, vemos na prática o pensamento do filósofo Immanuel Kant ao afirmar que o homem é aquilo que a educação faz dele. Esse preconceito -existente há décadas e com passagem de proibição legislativa durante o período da ditadura militar- presente na criação das mulheres, atua tolhendo-as na sua liberdade de escolha e tira delas a oportunidade desenvolver potenciais talentos no gramado

Além do machismo velado na criação, outro fator o qual impede a ascensão feminina no futebol é a falta de apoio do sistema privado. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a prática de exercícios físicos por mulheres no país é 40% inferior aos homens. Esse dado prova a iniciativa das corporações em fazer investimentos majoritários apenas em atletas masculinos, e consequentemente, leva o público a não prestigiar as equipes feminis, e também a não reconhecer que o esporte em questão é de caráter unissex. A falta ou o pouco incentivo dessas empresas, faz com que crianças não se vejam representadas nos campos e torna impossível acreditar no sonho de seguir profissões como árbitra, goleira ou jogadora.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Associações privadas do ramo esportivo devem fazer parcerias entre si e com ONG’s -voltadas para projetos sociais de meninas no futebol-, os quais promovam campeonatos femininos e festivais de entretenimento -como música e gastronomia- no mesmo evento, a fim de incentivar e valorizar a causa das mulheres com chuteiras. Outrossim, O MEC deve cobrar por meio da BNCC que seja abordado no conteúdo da disciplina de educação física, a realização de atividades e debates acerca do papel da mulher no futebol, objetivando ampliar e propiciar um cenário mais justo e sexualmente igual para todos: público, grupo técnico e protagonistas em campo.