O papel da mulher no futebol
Enviada em 06/05/2020
A sociedade brasileira foi formada sob uma ótica patriarcal e machista, na qual o homem recebeu o papel de ser o chefe de uma família, enquanto a mulher tinha o dever da maternidade. A partir disso, formou-se uma cultura sexista no país, na qual aquele é visto como um ser “superior” em relação a esta, sendo considerado como mais habilidoso e ágil. E esses estereótipos criados ainda contribuem para a dificuldade de inserção das mulheres em áreas destinadas, culturalmente, ao homem, inclusive o futebol. Por isso, é imprescindível a adesão feminina nesse ramo para que haja a sua representatividade em ocupar diversos papeis sociais, deslegitimando preconceitos construídos.
A princípio, a personagem ficcional Mulher Maravilha dos desenhos animados é importante para a desmistificação da inferioridade feminina, já que a super-heroína, por se envolver em combates que demandam agilidade e força, deslegitima o discurso de que certos âmbitos sociais não são cabíveis às mulheres. Fora da ficção, o papel desenvolvido com a participação destas no futebol é muito semelhante, seja sendo como jogadoras em clubes profissionais ou como torcedoras assíduas nos jogos do seu time preferido. Pois, essa representatividade nesses espaços exprime a importância da luta feminina contra qualquer estereótipo criado na sociedade, incentivando outras meninas a ocuparem vários cargos sociais, destinados, culturalmente, aos homens, como a dirigência de uma empresa.
Além disso, segundo o filósofo Foucault, existem poderes na sociedade que disciplinam as pessoas, a fim de direcionarem seus comportamentos. Sob essa perspectiva, percebe-se que os homens recebem de presente, quando pequenos, muitas vezes, uma bola, enquanto as mulheres ganham bonecas, remetendo ao seu dever da maternidade. Esse tipo de ideologia sexista contribui com a manutenção do patriarcado no país, pois assegura a continuidade de seres masculinos em certas áreas sociais, sendo não competentes às mulheres. Isso, infelizmente, contribui com a dificuldade na criação e valorização de times compostos por jogadoras femininas, estando comprovada com a falta de investimentos financeiros efetivos quando comparados ao futebol masculino, que é exibido, regularmente, nas redes de televisão abertas brasileiras. Por isso, a invalidação desses valores de que futebol é “coisa para homem” é imprescindível para a desconstrução de ideais de superioridade e inferioridade criados.
Portanto, para que haja visibilidade para o futebol feminino, é necessário que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estimule a valorização e notoriedade às mulheres. Isso deve acontecer por meio de projetos criados com a mídia televisiva que confiram a cobertura regular dos jogos femininos. Ademais, a CBF e a mídia devem criar propagandas televisivas, trazendo depoimentos de jogadoras, incentivando o respeito a elas. Assim, o Brasil poderá vir a ter uma maior equidade no futebol.