O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

Sabe-se que desde a antiguidade, com a formação das primeiras civilizações, a mulher desempenha uma importante função social. Porém, as ideias machistas, sexistas e patriarcais -existentes desde essa época- ainda reverberam na sociedade hodierna. Essa é uma problemática que não foi atenuada ainda devido à ineficácia das ações estatais, aliada à banalização das lutas pela questão de gênero. Desse modo, a participação da mulher no futebol é uma forma desse público alcançar uma visibilidade maior e lutar por seus direitos em busca de equidade, não só no esporte, mas nos contextos gerais.

A priori, é possível afirmar que -segundo previsto na Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, sem distinção de classe, raça ou gênero-. Entretanto, essa é uma questão que na prática se torna quase uma utopia, visto que o público feminino ainda sofre com preconceitos antigos mas que ainda perpetuam em pleno século XXI. Uma confirmação disso é que, de acordo com dados divulgados pelo IBGE, mulheres recebem cerca de 30% a menos do seu salário quando comparado às mesmas funções exercidas por homens o que é um absurdo. Nesse sentido, as mulheres vêm desempenhando um importante papel dentro do futebol atual, como uma forma de resistência social e luta por visibilidade global, além de divulgarem -por meio da mídia- as discrepâncias salariais ainda existentes. Assim, cabe ao Estado - como uma instituição social de caráter normativo que tem o dever de garantir aos direitos fundamentais dos indivíduos- promover ações que “rompam” com esses preconceitos e que possam promover a integração dos gêneros na sociedade, sem haver distinções.

Além dessas análises, também é possível afirmar que, segundo as concepções do estudioso Montesquieu, “a ignorância é a mãe das tradições”. Esse contexto pode fazer referência à banalização ainda existente sobre a luta pela equidade de gênero, visto que, embora se saiba sobre essas discrepâncias, as ações que amenizam tal problema não são postas em prática, o que é preocupante. Um exemplo disso foi a divulgação feita pela jogadora brasileira Marta, eleita pela FIFA como a melhor do mundo e que, apesar de ser referência no futebol mundial, expôs os problemas enfrentados pelo “sexo frágil” quanto à diferença salarial e preconceitos machistas/sexistas, mas que foram banalizados.

Assim sendo, a fim de garantir o papel da mulher no futebol e a sua representatividade pela luta por equidade de gênero, Cabe ao setor normativo aprovar leis que garantam esse fim, colocando na prática as concepções previstas Constitucionalmente. Além disso, a mídia como formadora de opinião pode abordar essa temática nas novelas para que funcione como uma “quebra” da banalização ainda existente, e que a mulher possa ganhar um espaço de maior visibilidade nesse meio, de modo equivalente aos homens, atenuando desse forma a “ignorância” estudada e abordada por Montesquieu.