O papel da mulher no futebol

Enviada em 04/05/2020

No ano de 2019, Marta, jogadora brasileira de futebol, ultrapassou a marca de 16 gols do alemão Miroslav Klose e se tornou a maior artilheira em Copa do Mundo. Apesar desse grande acontecimento, ainda é extremamente perceptível, principalmente no Brasil, o descaso em relação as mulheres que praticam ou que atuam nesse esporte. Isso se deve não só a desigualdade de remuneração entre os times masculinos e femininos, mas também no, ainda, preconceito nessa modalidade vista como “coisa de homem”.

O apoio financeiro é sem dúvida a maior dificuldade enfrentada pelas mulheres que escolhem o futebol. Segundo uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, os homens ganham quinhentos reais por dia da CBF( Confederação Brasileira de Futebol) durante os treinos, enquanto as mulheres recebem metade desse valor. Já quando os jogos são realizados fora do país, a diária feminina chega a menos de um quinto da masculina, por conta disso, várias atletas deixaram de atuar pela seleção e, segundo Marco Aurélio, o coordenador técnico da seleção feminina, “a diária não tem uma representação salarial, é mais uma ajuda de custo que damos”. Isso demonstra o quanto é desigual o tratamento dado a dois atletas que trabalham no mesmo esporte, pro mesmo país mas, que só possuem o gênero como diferença.

Além disso, as mulheres ainda enfrentam machismo velado no futebol. Em uma transmissão de rádio feita pela Jovem Pan Ceára, o comentarista Daniel Campelo, quando questionado sobre a sua opinião a respeito das mulheres estarem tomando conta da arbitragem ele respondeu que não achava uma boa ideia e que as mulheres tem que tomar conta da casa, do marido e dos filhos. Após a má repercussão, ele se desculpou mas acabou ratificando seu comentário anterior e ainda acrescentou algumas falas a mais como: “esse negócio de mulher metida com macho dentro do estádio”. Ou seja, para muitos o futebol ainda é um esporte masculino e não tem espaço para o público feminino, o que leva várias atletas e profissionais da área à desistirem de suas carreiras por conta do preconceito sofrido.

Assim sendo, o papel da mulher no futebol, apesar de ser de suma importância, ainda enfrenta vários desafios. Campanhas, deveriam ser realizadas não só pelas atletas, mas também, principalmente, pelos atletas, denunciando a diferença de apoio dado aos homens e as mulheres, por meio de publicações e protestos pacíficos, com o intuito de chamar a atenção das marcas e tentar diminuir a diferença de remuneração oferecida. Além disso, palestras devem ser feitas, promovidas pelo governo, onde se desmistifica que o futebol é um “esporte de homem”, para tentar diminuir o preconceito sofrido pelas mulheres que atuam nesse esporte pois, afinal, lugar de mulher é onde ela quiser.