O papel da mulher no futebol
Enviada em 07/05/2020
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado a rolar uma pedra montanha acima diariamente, pois assim que chegava ao topo, deixava-se vencer pela exaustão e a pedra rolava de volta à base. Analogamente, o futebol feminino trava uma luta cotidiana e antiga contra o machismo, que busca anular o papel da mulher nessa modalidade. Sob esse viés, é indubitável que o preconceito e a cultura patriarcalista são causas decisivas no estabelecimento das diversas dificuldades femininas no âmbito do futebol, como a desvalorização e descredibilização do seu trabalho.
De início, analisa-se a desigualdade proporcionada pelo machismo e pelo regime patriarcal vigente. Acerca disso, Simone de Beauvoir, filósofa feminista, cita que “não se nasce mulher, torna-se mulher”. Tal máxima esclarece que, apesar de não haver distinção biológica, a civilização elabora segregações de gêneros -do tipo, “mulher não consegue jogar futebol”- e propaga falsas limitações e determinismos fortemente enraizados. Dessa forma, é evidente que o preconceito sociocultural perpetua a situação atual do futebol, em que são ínfimas as atuações de técnicas, juízas, treinadoras, além da desvalorização das jogadoras. Assim, é notório que a luta feminina vai muito além dos 90 minutos das partidas, sendo necessário entrar em campo contra o machismo em todos os âmbitos sociais.
Ademais, como resultado da conjuntura social disposta, as mulheres sofrem com as desigualdades e com a supervalorização do futebol masculino em detrimento do feminino. Isto posto, de acordo com o jornal O Globo, Marta recebe 175 vezes menos que neymar, ambos jogadores brasileiros que atuam fora do país. Embora Marta tenha ganhado 6 vezes o prêmio de melhor jogadora do mundo pela FIFA, tenha mais tempo de carreira e, portanto, mais títulos e prêmios, infelizmente isso tudo não é suficiente para equiparar-se a um jogador masculino. Isso porque jogos masculinos atraem muito mais torcedores e renda, fato que é resultado da discriminação sofrida pelo futebol feminino e de sua pouca propagação pela mídia, que dificilmente transmite os jogos. Esse contexto prejudica a expansão e a valorização dessa modalidade esportiva, na qual as mulheres precisam driblar cada vez mais dificuldades.
Em suma, é imprescindível que setores da sociedade unam-se para modificar o quadro atual. Desse modo, a mídia deve propagar os jogos femininos de futebol com a cobertura e transmissão ampla dos campeonatos em TV aberta, a fim de torná-los populares e aumentar sua adesão entre a população. Além disso, Instituições educacionais devem minimizar o pensamento machista desde cedo, fornecendo palestras e incluindo nas aulas de história e sociologia a trajetória do futebol feminino e seu empoderamento, para que o preconceito seja superado numa sociedade futura. Somente assim as mulheres poderão deixar de carregar suas pedras diárias e conseguirão chegar ao topo da montanha.