O papel da mulher no futebol

Enviada em 05/05/2020

De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei, independente de cor, sexo, raça ou religião. Apesar disso, a discriminação e o preconceito enraizados na cultura brasileira, ainda se faz presente nas relações sociais e econômicas da atualidade. Nesse contexto, insere-se a problemática do preconceito velado quanto ao papel da mulher no futebol, o qual se deve a um passado histórico-colonial tipicamente machista e escravocrata, associado a uma sociedade ignorante que sustenta um ideal falso de superioridade.

Em primeira análise, cabe ressaltar a herança secular culturalmente preconceituosa da sociedade brasileira que se apresenta em diversos aspectos da esfera pública e privada atual. Esse passado, marcado pela superiorização do homem em detrimento da mulher e pela definição de papéis dentro da sociedade, provoca consequências nas atividades contemporâneas. Assim, tem-se o mundo futebolístico como exemplo dessa segregação sexista, no qual a presença da mulher é diminuta e desvalorizada em relação ao futebol masculino que recebe mais subsídios, patrocínios e divulgação midiática. Tal fato pode ser comprovado a partir de dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial, nos quais constatam-se a diferença de 267 vezes entre os salários masculinos e femininos. Contudo, o futebol feminino é uma forma de combate e resistência a cultura machista predominante na sociedade.

Em segunda análise, é importante destacar a ignorância social, ligada à desinformação e ao comodismo, como um fator determinante para perpetuação de preconceitos dentro do futebol. Nesse sentido, Hannah Arendt, filósofa alemã, cita a banalização do mal, ou seja, a indiferença quanto ao mal social. Sendo assim, considera-se o preconceito banalizado, pouco discutido e debatido na sociedade atual como forma de manutenção da segregação sexista supracitada. Além disso, a falsa ideia de superioridade construída ao longo do tempo contribui para marginalização das mulheres do futebol, símbolos do feminismo, bem como para fragilização desses movimentos de igualdade entre gêneros. Desse modo, o papel da mulher na esfera futebolística, indiscutivelmente, representa o empoderamento feminino dentro das relações socioeconômicas atuais.

Portanto, é imprescindível que o Ministério da Educação, atuando nas escolas, promova a desconstrução desses ideais discriminatórios. Para tal, aulas socioeducativas de conscientização, relativa à importância das mulheres na construção histórico-social brasileira, são essenciais para a valorização e empoderamento dessas. Ademais, a mídia deve atuar na divulgação e exibição de jogos femininos, através de canais televisionados abertos, objetivando a uma maior visibilidade, mais patrocínios e incentivos, contribuindo, assim, para a sociedade justa e igualitária da Constituição de 88.