O papel da mulher no futebol
Enviada em 03/05/2020
A primeira partida de futebol feminino no Brasil ocorreu em 1921, entre as senhoritas Tremembenses e as senhoritas Catarinenses. Quase 100 anos após a primeira partida, o Brasil, conhecido como país do futebol, caminha a passos lentos no que diz respeito à participação feminina em tudo que envolve o futebol, embora haja avanços consideráveis. A partir desse contexto, é válido discutir quais esses avanços e quais os empecilhos encontrados para a participação feminina no futebol.
É importante, de início, perceber que toda estrutura de cobertura do futebol, predominantemente masculina, começa a abrir espaço para que mulheres exerçam mais funções, de árbitras a comentaristas. De acordo com a Federação Paulista de Futebol, houve um crescimento de 86% no número de mulheres interessadas em fazer o curso de formação de árbitros nos últimos 5 anos. Esse número reflete que, ano após ano, as mulheres querem participar mais ativamente de toda estrutura do futebol, dentro ou fora de campo. Se antes eram áreas masculinas, hoje, depois de mulheres pioneiras como Léa Campos, primeira árbitra de futebol do país, e Ana Thaís Matos, primeira mulher a narrar um jogo de futebol do campeonato brasileiro, a tendência é ver cada vez mais mulheres nesse meio.
Observa-se, ainda, que mesmo que as mulheres estejam cada vez mais envolvidas com o esporte, o futebol feminino ainda é menos apoiado que o masculino. Um levantamento realizado pela revista Politize apontou que a Copa Mundial Masculina é financiada pelo valor de 400 milhões de dólares, enquanto o campeonato feminino recebe apenas 30 milhões. A discrepância de 370 milhões de dólares é justificada por fatores como o não interesse do público e a baixa rentabilidade, o que leva a uma reflexão de que não tem como o futebol feminino crescer se não recebe apoio suficiente e que a comparação entre a rentabilidade dos dois gêneros não é justa, já que não se investe o mesmo em ambos.
Fica claro, portanto, que as mulheres têm papel fundamental na prática do futebol, mas ainda enfrentam problemas para crescer no universo desse esporte. Por isso, o Ministério da Cidadania, pelo papel de desenvolver e implementar políticas de incentivo aos esportes, deve, a partir de uma resolução, tornar obrigatória a existência de um time feminino em todas as escolas que contem com times masculinos de futebol . Dessa forma, haverá mais incentivo para a prática do futebol pelas meninas desde cedo. Além disso, a Confederação Brasileira de Futebol deve fiscalizar e punir os times que não praticarem a equidade salarial entre jogadores e jogadoras visando diminuir, cada vez mais, a desigualdade salarial no exercício de uma mesma função no futebol. Assim, as mulheres terão mais espaço e serão valorizadas na prática do esporte.