O papel da mulher no futebol
Enviada em 03/05/2020
Na Grécia Antiga, enquanto os homens podiam ser cidadãos, as mulheres não tinham direitos políticos nem autorização para receber educação e desenvolver trabalhos semelhantes aos dos homens. Atualmente, esse cenário se alterou e elas atuam em vários empregos, entretanto, o preconceito ainda persiste, principalmente, no meio futebolístico. Nessa óptica, é importante entender que a mulher exerce um papel de representatividade nesse espaço, fortalecendo a luta pela igualdade de gênero nas demais profissões, mas também sofre preconceitos.
Inicialmente, cabe-se a análise da função da mulher como referência no futebol. Segundo o historiador Sérgio Buarque de Holanda no livro “Raízes do Brasil”, o patriarcado representa um contínuo exercício de poder da figura central da família, o homem, sobre seus demais integrantes, no entanto, essa relação de domínio excedeu a esfera privada e adentrou na vida pública. Tal situação possibilita a idealização de espaços restritos à imagem masculina, a exemplo do futebol. Portanto, à medida que há a representatividade de mulheres nesses meios, existe uma quebra da ideia da exclusividade do homem a certos ambientes e profissões, além da alteração do pensamento patriarcalista e machista.
Ademais, as jogadoras de futebol ainda sofrem preconceitos. Esse contexto não existe apenas atualmente, o escritor José de Alencar na obra “Senhora” já ressaltava um pouco disso ao mostrar uma personagem feminina empoderada, Aurélia, que não era reconhecida pelo seu intelecto e sagacidade (características tidas como próprias dos homens), apenas por sua beleza e dinheiro. De forma análoga, muitas profissões não abrem espaço para a inserção de mulheres devido ao não reconhecimento de suas habilidades e, quando abrem, exibem discrepâncias salariais, como, por exemplo, diz pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): mulheres ganham 72,3% do salário de um homem que ocupa o mesmo cargo e possui a mesma escolaridade ou menos. Nesse sentido, é evidente a necessidade de luta pelo reconhecimento e igualdade entre os gêneros.
Logo, é imprescindível que o MEC (Ministério da Educação) insira na Base Nacional Comum Curricular debates sobre a inclusão das mulheres no mercado de trabalho e os preconceitos sofridos por elas, especialmente, no futebol. Para tanto, deve utilizar-se de figuras representativas, como a jogadora Marta, a fim de promover um ambiente lúdico e de reflexão e reconhecimento. Outrossim, a Secretária Especial de Comunicação Social (Secom) deve promover publicidade para eventos esportivos protagonizados por mulheres, por intermédio de propagandas, com o objetivo de dar visibilidade e combater a mentalidade patriarcal.