O papel da mulher no futebol

Enviada em 08/05/2020

De acordo com a Constituição de 1988, todo ser humano nasce igual em direitos. Contudo, é necessária a percepção de que, no atual cenário brasileiro, grande parte das mulheres acabam sofrendo com desigualdade em relação aos homens, inclusive, no futebol. Nesse sentido, é fundamental entender que, a visão preconceituosa de que o esporte é direcionado aos homens, juntamente com a falta de investimento nas mulheres por parte dos clubes de futebol, são alguns dos fatores que potencializam o problema.

A princípio, de acordo com a estudiosa Hannah Arendt, quando um mal se torna enraizado em uma sociedade, esse passa a ser banalizado, e a não surtir o efeito de prática malígna por quem o comete. Dessa forma, é possível compreender que, pelo fato do futebol, há alguns anos atrás, ser uma prática exclusiva dos homens, a sociedade passou a internalizar naturalmente que o cenário do esporte não cabe ao sexo femino. Nesse sentido, devido ao grande preconceito ainda existente, as mulheres tendem a ter muito mais dificuldades que os indivíduos do sexo oposto para se estabilizarem no mercado do futebol. Pois, pelo fato do jogo masculino gerar muito mais visibilidade para a mídia, muitas mulheres tendem a ser excluídas de campeonatos mundiais e passam a não ter meios de ascender na prática esportiva, mesmo que possuam tanta técnica quanto o homem possui.

De outra parte, é necessário entender que, a falta de investimento por parte dos clubes esportivos, no futebol feminino, também é um fator que agrava o problema. Pois, segundo dados do site Estadão, o homem chega a ter 50 por cento a mais de salário do que uma mulher no cenário do futebol. Nesse sentido, é possível entender que, no momento em que um indivíduo recebe mais dinheiro de uma empresa, pelo fato desse ser considerado do “sexo superior”, tal firma acaba contribuindo para que as desigualdades sigam ocorrendo na sociedade. Pois, se pessoas são destinadas a realizar a mesma tarefa, segundo o que é previsto na lei, essas deveriam receber igualmente pelo serviço. Diante disso, muitas mulheres acabam sendo desistimuladas e não possuem meios para seguir no ramo esportivo.

Diante dos fatos expostos, cabe a Confederação Brasileira de Futebol, destinar parte dos recursos financeiros, que seriam utilizados somente para os jogadores do sexo masculino, para realizar o treinamento de mulheres, visando a participação dessas em campeonatos mundiais. Pois, ao fazer com que jogadoras também participem de tais eventos, essas conseguirão ganhar mais visibilidade no futebol, fazendo com que a sociedade perceba a importância de incluir as mulheres no cenário esportivo, visto que todos nascem iguais em direitos. Pondo tal ato em prática, a Constituição de 1988 será respeitada e as mulheres ganharão mais espaço no futebol.